RORAIMA - Em clima de aparente tranqüilidade, os moradores do distrito de Surumu, área de maior tensão entre os indígenas favoráveis e contrários à demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, acompanharam o julgamento da questão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

De um lado, cerca de 700 índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), que defendem a reserva em área contínua, organizaram uma missa e, desde o início desta quarta-feira, realizam apresentações de dança e música típicas das etnias que vivem na Raposa. A expectativa do CIR é reunir mil índios, vindos de Boa Vista, do município de Pacaraima e de outras aldeias do estado.

Do outro lado da rua, um grupo menor, de cerca de 50 pessoas, assistiu o julgamento ao vivo em uma televisão que, por serviço pago, capta o sinal da transmissão por satélite. Ligado à Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos de Roraima (Sodiu-RR), o grupo defende a demarcação da Terra Indígena em ilhas para permitir a permanência dos grandes produtores de arroz dentro da reserva.

Homens da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança observam a movimentação dos dois lados. Nenhum dos grupos assume que irá partir para o conflito em caso de decisão do STF contrária aos interesses de cada um dos lados, mas dizem que se forem atacados, reagirão.

De acordo com a PF, pelo menos 150 agentes foram espalhados na área da reserva, alguns à paisana. Em caso de conflito, outros 250 policiais, que estão em cidades próximas, poderão reforçar o contingente na Raposa. O efetivo da Força Nacional em todo o estado é de cerca de 400 homens, concentrados principalmente da região da reserva.

A entrada de jornalistas na área está sendo controlada por agentes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e as entrevistas com indígenas do grupo ligado ao CIR só são autorizadas após uma triagem feita por outros índios com crachás de "organização".

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