Indiciada, mãe de menina estuprada desconhece ação

Dois dias depois do indiciamento, por omissão, da mãe da menina pernambucana de nove anos que abortou gêmeos, no início do mês, fruto do estupro sofrido pelo padrasto, a secretária especial da Mulher de Pernambuco, Cristina Buarque, continua aguardando uma notificação oficial por parte da Polícia Civil para informar a mulher sobre o indiciamento. A mãe e as duas filhas - que eram abusadas sexualmente havia mais de três anos - estão sob a tutela da Secretaria Especial da Mulher, instaladas em um abrigo localizado em Recife.

Agência Estado |

Na última quinta-feira (dia 26), o delegado Antônio Dutra, titular da cidade de Alagoinha, município no Agreste pernambucano onde o crime ocorreu, divulgou a conclusão do inquérito sobre o caso. De acordo com ele, a decisão de indiciar a mãe da garota não classifica a mulher como coautora dos abusos. Na avaliação de Dutra, a mulher, de 39 anos, poderia ter evitado a continuidade do crime e a consequente gravidez da filha. "Faltou à mãe responsabilidade de zelar pelas filhas, afinal, ela diz que cuidava pessoalmente da higiene das crianças, que acompanhava o dia a dia das filhas. Como não notar o estupro e a gravidez numa situação como essa?", questionou o policial.

De acordo com informações da Policia Civil, a notificação do indiciamento será formalizada na próxima segunda-feira (dia 30). O crime de omissão está previsto no Artigo 13 do Código Penal Brasileiro. No relatório final do inquérito, o delegado pediu ainda a realização de exames de sanidade mental na mulher por suspeitar que ela seria portadora de algum tipo de distúrbio psíquico. Apesar do indiciamento, a mulher vai responder ao inquérito em liberdade. A juíza de Alagoinha, Renata Barcala, deve receber o inquérito na próxima segunda-feira.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Mulher, independentemente do indiciamento, estão sendo tomadas as medidas necessárias para buscar a reintegração da família à sociedade. A expectativa é de que mãe e filhas passem a morar em um bairro do subúrbio de Recife e sejam integradas em programas sociais governamentais. Atualmente, a mãe, que é artesã, recebe dinheiro do programa Bolsa Família. De acordo com fontes ligadas à Secretaria da Mulher, a mãe continua negando que soubesse dos abusos.

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