Resultados de uma pesquisa inédita a respeito da relação entre violência e saúde mental de paulistanos e cariocas surpreenderam os pesquisadores: apesar de relatarem maior exposição à violência intencional no ano anterior ao do estudo, os moradores do Rio de Janeiro não apresentaram taxas mais elevadas de transtornos mentais, como fobias. Entre os cariocas, 22% declararam ter sido vítimas de violência, contra 9% dos paulistanos, mas os índices das doenças analisadas foram semelhantes.

“Uma hipótese é a de que os cariocas tenham mais resiliência (na psiquiatria, capacidade de passar por um trauma sem desenvolver transtornos mentais)”, cogita o psiquiatra Sérgio Andreoli, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos participantes da pesquisa Associação entre Violência e Transtornos Mentais nas Cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

O trabalho é resultado de parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz, com financiamento de R$ 1,7 milhão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Os resultados parciais foram apresentados no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, concluído na sexta-feira em São Paulo.

Andreoli destaca que o modo de ver a vida e a banalização dos casos de violência também estão no rol de possíveis explicações para a conclusão do estudo, que não prevê análise qualitativa. Porém, outros dados levantados e em processamento, como fatores que predispõem à resiliência e características genéticas, poderão ajudar a formular respostas. A violência é considerada questão de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1996. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.