Índias aliadas de arrozeiros protestam contra demarcação da Raposa e atuação da PF

BOA VISTA - Dezenas de índias aliadas de arrozeiros seguram cartazes e, com auxílio de um carro de som, gritam palavras de ordem contra a Polícia Federal e a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Duas faixas resumiram o recado que pretendiam dar: ¿Lula: antes de exterminar Roraima, conheça-a¿ e ¿Paulo César [Quartiero, líder dos arrozeiros]: Deus te ama e nós também!¿.

Agência Brasil |

Andando de um lado para outro em frente à Assembléia Legislativa do estado, a professora Ionaia de Sá com microfone: Somos contra a retirada de não-índios. Queremos que a PF vá embora porque trata a gente com truculência. Uma caminhonete com agentes da PF pára em um sinal próximo e parte das mulheres avançam, xingam e dão tapas contra o veículo. Os ocupantes não reagem.

O discurso continua e a professora acrescenta: A Funai [Fundação Nacional do Índio] não ajuda nossas comunidades e o governo Lula gasta dinheiro com turismo para policiais.

Questionada sobre a organização do protesto, Ionaia disse ser uma iniciativa espontânea das mulheres da Raposa Serra do Sol, até porque somos maioria no mundo. No local também estava a esposa do líder dos arrozeiros Paulo César Quartiero - preso em Brasília por porte ilegal de arma e artefatos explosivos, depois que funcionários expulsaram a tiros índios que ocupavam a fazenda Depósito.

Do alto de uma tribuna popular quem fala é Antônia Rodrigues, 55 anos, que diz viver e ter nascido na Vila Surumu, onde índios favoráveis e contrários aos arrozeiros estão separados por apenas uma rua: A [Polícia] Federal vive ameaçando todo mundo. Quero que saia e que também tire os índios que não são de lá e vão para o Surumu.

Os protestos populares em Boa Vista contra a PF estão se tornando comuns. Na última sexta-feira, manifestantes liderados pelo deputado federal Márcio Junqueira (DEM-RR) saíram em carreta pedindo a intervenção do Exército na Raposa Serra do Sol. O parlamentar acusa a PF de ter comportamento parcial, favorável aos índios que querem a saída dos arrozeiros.

O delegado da PF Fernando Romero reage com tranqüilidade às críticas: Entendemos como um processo natural porque interesses econômicos estão sendo contrariados.

Ele lembra que, quando moradores aliados de arrozeiros montaram uma base de resistência armada na Vila Surumu, a PF hesitou em usar a força contra eles, assim como fez agora com o bloqueio de índios na RR 319, encerrado mediante acordo. 

Romero admite que alguns agentes cometeram excessos na atuação em Roraima, como disparar tiros para o alto sem necessidade em ambiente público, mas garante que foram afastados e receberão sanções cabíveis. Sobre o deputado federal Márcio Junqueira, o delegado diz que está a serviço dos arrozeiros e fará de tudo para difamar.

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