Indefinição do PSDB sobre vice de Serra gera atritos no DEM

* Sem Aécio, ala do DEM exige nome do partido para vice * Outro grupo abre mão da vaga em nome da vitória

Reuters |

* Apesar de rumor, partido nega candidatura própria

Por Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - A indefinição do PSDB em relação a quem ocupará a vaga de vice na chapa a ser encabeçada pelo governador José Serra (SP) na disputa presidencial voltou a gerar atritos internos no DEM, maior aliado dos tucanos para as eleições de outubro.

Uma ala do Democratas afirma que o partido deve ter o direito de indicar um candidato a vice caso o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), de fato não aceite a missão. Outro grupo argumenta que a sigla deve abrir mão do cargo se houver no PSDB ou em outro partido alguém com maiores condições de levar a oposição de volta ao poder.

Não bastasse isso, surgiram rumores de que o DEM poderia lançar a senadora democrata Kátia Abreu (TO) à Presidência em um cenário extremo de divergência com os tucanos. Líderes dos diferentes grupos do partido descartaram nesta segunda-feira essa hipótese, mas acusam uns aos outros de serem os autores dessa versão.

"Estamos com o Serra e confiantes", disse à Reuters o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).

"São movimentos pessoais que acabam gerando matérias. O partido vai indicar (o vice), mas não vamos tratar de nomes agora porque o melhor nome é o do Aécio e não podemos antecipar o debate antes de uma decisão do governador de Minas."

Um integrante da direção nacional da legenda reforçou o coro. Sob a condição do anonimato, esse parlamentar disse que vê no rumor de candidatura própria uma tentativa da senadora de se cacifar para a vaga de vice em detrimento de outros nomes do partido, em um momento em que o PSDB resiste à ideia de conceder a vaga ao DEM.

Afirmando que o DEM não terá força política para impor um nome ao PSDB porque não tem alternativas nas eleições deste ano, já que o sucesso dos seus projetos estaduais está diretamente ligado à candidatura tucana ao Palácio do Planalto, a fonte disse que a prioridade da sigla deve ser uma vitória na eleição presidencial.

"A chance de uma candidatura própria é igual a zero. É mais fácil a gente apoiar a Dilma Rousseff (ministra da Casa Civil, pré-candidata a presidente pelo PT) do que ter candidatura própria", ironizou, ressaltando que a iniciativa devia ser algo individual da senadora, que tem ligações partidária com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o ex-senador Jorge Bornhausen.

Do outro lado, um parlamentar integrante desse último grupo jogou a responsabilidade sobre os ombros do presidente do partido e seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia.

"O nosso partido tem algumas pessoas bastante nervosas, como o presidente e seu pai, que está tentando conseguir assim resolver o problema deles no Rio", disse a fonte, pedindo para não ser identificada.

A fonte lembrou que Cesar Maia está com dificuldades nas negociações sobre sua candidatura ao Senado na chapa majoritária liderada pelo deputado Fernando Gabeira (PV), pré-candidato ao governo fluminense.

Procurada, a senadora Kátia Abreu informou por meio de sua assessoria de imprensa que não comentaria o assunto, tema que seria decidido pelas lideranças partidárias.

O caso é acompanhado de perto pelo PSDB, mas por ora não gerou grandes preocupações no partido.

"Isso é estresse, uma aventura que não corresponde ao pragmatismo e à responsabilidade do Democratas", disse o líder tucano na Câmara, João Almeida (BA).

Para ele, a oposição deve adiar os debates sobre a vice. "É hora de colocar os primeiros movimentos do candidato. É uma estupidez tratar de vice agora."

Há alguns meses, as divergências internas do DEM giravam em torno das suas preferências entre Serra e Aécio para ser o candidato à Presidência.

(Edição de Alexandre Caverni)

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