Incontinência urinária, ainda um tabu

Incontinência urinária, ainda um tabu Por Fernando Almeida* Até pouco tempo, temas como AIDS, depressão e sexualidade quase não eram discutidos pela sociedade e, nos jornais e revistas, então, os espaços eram bem pequenos. Os pacientes que tinham coragem de procurar um médico e tratar o problema, o faziam em segredo de estado, escondido da família e dos amigos.

Agência Estado |

Hoje, felizmente, já é "permitido" falar em voz alta sobre estes assuntos, na sociedade, na mídia, com os familiares, amigos e médicos. Esta nova realidade contribuiu com a disseminação de informações sobre as causas, as consequências e os tratamentos destas doenças, levou mais pessoas aos médicos e, portanto, mais saúde às pessoas.

Está mais do que na hora de quebrarmos mais um tabu da saúde: o da incontinência urinária. Para começar esta discussão, vale saber que algumas pesquisam consideram a disfunção mais debilitante que o diabetes no que diz respeito à qualidade de vida.

A perda de urina constrange, envergonha, afasta, isola, deprime e afeta drasticamente a qualidade de vida. Imagine-se deixando de viajar, de ir a uma festa ou mesmo evitando atividades rotineiras, como trabalhar, ir ao banco, fazer compras.

Pessoas com incontinência urinária deixam de lado tudo isso, isolam-se e podem desenvolver quadros de depressão. Muitas, porém, acham que este é um fardo do envelhecimento e que não há outra solução a não ser conviver com ele. Tanto que apenas cerca de 20% delas procuram orientação médica.

A incontinência urinária não é um problema natural do envelhecimento e nem exclusivo dos idosos. Com o aumento da expectativa de vida, é cada vez mais comum encontrarmos pessoas em idade ativa com o problema. Mulheres e homens que trabalham, tem uma vida social agitada, frequentam restaurantes, bares, academias e perdem urina.

O que é preciso enfatizar é que as pessoas com incontinência urinária não tem de conviver com as restrições que a doença impõe. Os tratamentos atuais, realizados pelos urologistas, permitem que em média de 70% a 80% dos portadores obtenham melhora dos sintomas. Fisioterapia, medicamentos e aplicação de BOTOX® (Toxina Botulínica Tipo A) podem ajudar a recuperar a autoestima e a qualidade de vida destas pessoas.

Por isso, procure saber mais sobre a doença. O conhecimento é o primeiro passo para a saúde.

* Dr. Fernando Almeida é professor da Disciplina de Urologia e médico responsável pelo setor de Disfunções Miccionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e pelo site www.disfuncaomiccional.MED.br

*(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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