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O câncer de próstata deve alcançar este ano 49.530 novos casos no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

De acordo com alguns especialistas, por causa da falta de estrutura dos bancos de dados brasileiros - os responsáveis pelos registros das ocorrências da doença -, a freqüência de novos casos no País pode ser muito maior. "De cada seis indivíduos do sexo masculino, um terá a doença", afirma o urologista Miguel Srougi, especialista em câncer de próstata do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

O câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum entre o sexo masculino, principalmente entre os homens acima de 50 anos. Apesar da grande incidência, ele tem grandes chances de cura - em torno de 70% a 90% - se for detectado nos estágios iniciais. Na maioria dos casos, este câncer se desenvolve lentamente e de modo silencioso. Os possíveis sintomas que podem se manifestar (e em geral eles são leves) são: a dificuldade de urinar, aumento da freqüência da ida ao banheiro e urinar com dor.

Em casos mais adiantados, o paciente pode presenciar o sangue na urina ou no momento da ejaculação e podem sentir dores abdominais e ósseas. "O paciente não pode esperar um sintoma para procurar o médico", alerta o urologista Arcílio de Jesus Roque, integrante da equipe de urologia do Hospital São Luiz (SP) e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo os especialistas, não há uma causa conhecida da doença, porém a incidência deste tipo de câncer é dobrada entre negros em relação aos brancos e também é mais freqüente entre brancos do que entre orientais e indígenas. Outro aspecto importante ressaltado pelos especialistas é o histórico familiar - homens com pais ou irmãos que tiveram este tipo de câncer precisam redobrar a atenção, pois o risco de desenvolver a doença é maior do que a população em geral.

"Se o paciente tiver um parente direto, ele tem duas vezes mais possibilidades de ter a doença e, se possuir três familiares com este câncer, o homem tem três vezes mais a chance de desenvolvê-lo", diz Roque. Além disso, pessoas que consomem muita gordura animal e usuários de testosterona também estão mais propensos a ter este tipo de câncer.

Diagnóstico

O diagnóstico desta doença pode ser feito precocemente através do exame de toque retal de próstata em conjunto com o Antígeno Prostático Específico ou PSA, que detecta substâncias liberadas pelo tumor. "Eles devem ser feitos juntos, pois o toque pode falhar em 20% do resultado final, e o PSA, entre 20% e 25%", afirma Roque. Segundo ele, se os dois métodos forem aplicados em conjunto, há 90% de fidelidade do diagnóstico, e a percentagem sobe para 95% se for adicionado o exame de ultra-som.

Porém, o velho medo dos homens em relação ao exame de toque ainda é um grande obstáculo a ser vencido. "O medo da dor durante o exame é um preconceito cultural e não depende do nível de instrução", diz Srougi. "Além disso, ao assumir que tem esta doença, o homem se sente vulnerável, perde um pouco do poder na sociedade. O sentimento de rigor físico que se relaciona a sobrevivência também é debilitado", completa.

Tratamento

Se o tumor for detectado, a cirurgia e a radioterapia são os tratamentos mais aplicados. Em alguns casos, a terapia hormonal também é recomendada. "Os dois tratamentos causam algum tormento na cabeça dos homens, pois ambos causam a impotência sexual", destaca o urologista do Hospital Oswaldo Cruz. "Na cirurgia, as chances variam de 30% a 40%, e na radio, entre 20% e 30%."

De acordo com os dois especialistas, o auxílio dos robôs nas cirurgias tende a diminuir as "seqüelas", pois os movimentos são mais precisos e as chances de lesão dos vasos e nervos da função sexual podem ser menores. "Ainda é necessário a aquisição de mais experiências com o robô, mas acredito que no futuro próximo ele auxiliará bastante", pondera o urologista do Hospital São Luiz.

Precaução

Apesar de não existirem precisamente causas do câncer de próstata, os especialistas recomendam alguns comportamentos que podem prevenir a doença. O primeiro deles é evitar a ingestão de gordura animal, que contribui para o desenvolvimento da doença. No cardápio, eles aconselham a ingestão de licopeno, presente no tomate, na melancia e na goiaba vermelha, e também de selenium, que é encontrado na castanha-do-pará.

"Comer duas castanhas por dia já diminui as chances de câncer de próstata", diz Srougi. "Mas é fundamental reiterar que todos os homens a partir dos 45 anos devem fazer uma visita anual ao urologista a fim de prevenir a evolução desta doença", completa Roque.

Amanda Valeri

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