O Instituto Nacional de Câncer (Inca) desaconselhou o rastreamento através dos exames de Antígeno Prostático Específico (PSA, na sigla, em inglês) e de toque retal para prevenção do câncer de próstata. A recomendação aos médicos foi publicada há dois meses, no site do instituto, e apóia-se em cinco estudos internacionais, que não comprovaram que esses exames tenham impacto na redução da mortalidade.

Em 2007, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 35 milhões com a realização de 2,5 milhões de exames de PSA e 20 mil biópsias de próstata.

O médico sanitarista Marcus Valério de Oliveira, da Divisão de Gestão da Rede Oncológica do instituto, ressaltou que a recomendação é para os casos assintomáticos. "O Inca nunca recomendou essa prática, mas achamos que valia a pena deixar claro que não vale a pena usá-la como estratégia de saúde pública do Ministério da Saúde", disse ele. "Outra coisa é a relação individual médico-paciente no consultório", acrescentou Oliveira, esclarecendo que outros fatores, como o histórico do paciente, possam indicar a realização desses exames.

Segundo ele, a realização rotineira do toque retal e o rastreamento do PSA gera "um monte de biópsias e estresse desnecessário" nos homens. A explicação é que, após os 50 anos, é normal que o tamanho da próstata aumente, provocando uma dosagem maior PSA. Além disso, cerca de 30% dos exames feitos em cadáveres acima dessa idade, foi encontrado câncer na próstata, sem que essa tenha sido a causa da morte.

"A medicina ainda não consegue determinar com precisão em quais casos o câncer não irá evoluir, ou evoluirá de forma lenta", disse o médico. Uma intervenção precoce num câncer que não evoluiria pode comprometer a qualidade de vida do paciente com tratamento como quimioterapia e radioterapia, provocar impotência sexual ou infecções.

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