BRASÍLIA (Reuters) - A inadimplência no sistema bancário atingiu 5,5 por cento em maio, maior nível desde 2000, principalmente por conta do nível recorde atingido nas operações de pessoas físicas, mostraram dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira. No caso das pessoas jurídicas, a inadimplência cresceu 0,3 ponto percentual, para 3,2 por cento, maior nível desde maio de 2001. Para as pessoas físicas, o aumento foi de 0,2 ponto, para 8,6 por cento, a taxa mais alta da série do BC, iniciada em 1994.

Esse desempenho foi liderado pela inadimplência no cheque especial, que alcançou 10,8 por cento no mês passado.

Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o dado --que mede os empréstimos com atrasos superiores a 90 dias-- ainda reflete "o ápice da crise" e não é motivo de preocupação.

"A expectativa é de que no final do ano a inadimplência já esteja próxima a 4 por cento", afirmou.

Para ele, com a retomada dos fluxos de crédito, a tendência é de que os tomadores possam voltar a rolar seus empréstimos, o que reduzirá a inadimplência.

No mês passado, as novas concessões de crédito no Brasil registraram queda de 2,1 por cento ante abril, movimento que o BC atribuiu a fatores sazonais.

O estoque total das operações de crédito no país, por sua vez, cresceu 0,8 por cento, a 1,259 trilhão de reais, o equivalente a 43 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Em abril, essa relação era de 42,8 por cento.

O BC elevou sua estimativa para o crescimento do volume total de crédito em 2009 para 15 por cento, frente a projeção anterior de 14 por cento. Esse desempenho levaria o crédito a 45 por cento do PIB em dezembro.

Os números do BC mostram que a retomada do crédito tem sido fortemente liderada pelos bancos públicos. Desde setembro, com o agravamento da crise financeira global, o crédito oferecido pelos bancos públicos cresceu 20,77 por cento, ante elevação de 3,66 por cento no caso dos bancos privados nacionais e de 2,48 por cento dos bancos privados estrangeiros.

CUSTO EM QUEDA

No mês passado, o spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes, teve discreta baixa de 0,1 ponto percentual, para 28,1 pontos percentuais.

No período, a taxa média de juros cobrada dos clientes caiu 0,7 ponto percentual, para 37,9 por cento ao ano --menor nível desde maio de 2008.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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