Importador de trigo, Brasil começa ano exportando o cereal

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil, um dos maiores importadores mundiais de trigo, começou o ano embarcando pelo porto de Rio Grande (RS) algumas cargas do cereal gaúcho do tipo soft para o exterior, num volume negociado até agora em torno de 120 mil toneladas, segundo fontes do setor.

Reuters |

Os embarques, para destinos incomuns ao produto do Brasil, como Paquistão e Tanzânia, segundo um corretor de São Paulo, marcam o início de uma operação comercial que vem se repetindo anualmente, embora não em volumes tão expressivos quanto os das importações do país.

Isso tem ocorrido porque a demanda brasileira para o grão produzido no Rio Grande do Sul (com características de matéria-prima para fabricação de biscoitos) não consegue absorver todo o produto gaúcho.

"Saiu ao redor de 120 mil, apenas para fora do país, para o Norte e Nordeste foi um pouco mais", afirmou nesta sexta-feira Rui Polidoro, presidente da Fecoagro (Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul), lembrando que, além das exportações, os gaúchos também enviam por cabotagem trigo para os moinhos de regiões não-produtoras, como o Nordeste.

O trigo foi a mercadoria mais movimentada no porto de Rio Grande em janeiro, segundo a administração portuária, uma vez que os embarques de soja caem na entressafra.

No mês passado, foram embarcadas em Rio Grande 142 mil toneladas de trigo, a maior parte para o Nordeste, mas também 25 mil toneladas para a Tanzânia. Para fevereiro, há previsão de que 58 mil toneladas sejam destinadas ao Paquistão.

Pela avaliação de Polidoro, novos embarques devem ocorrer nos próximos meses, já que ele estimou em mais de 100 mil toneladas as exportações fechadas.

Em 2008, o Brasil importou mais de 6 milhões de toneladas, exportando no mesmo ano 750 mil toneladas, praticamente tudo com origem no Rio Grande do Sul, o segundo produtor nacional respondendo por cerca de 2 milhões de toneladas das 6 milhões recém-colhidas pelo país em 2008/09.

As exportações realizadas no ano passado, no entanto, tiveram um impulso diferente das deste início de 2009. Em 2008, os preços no mercado internacional atingiram patamares recordes e as restrições na oferta da Argentina permitiram que o trigo do Rio Grande do Sul ganhasse algum mercado.

Neste ano, as vendas externas do trigo gaúcho só estão ocorrendo porque contaram com apoio do PEP, uma subvenção governamental disputada em leilão criada originalmente com o objetivo de apoiar o transporte do produto entre regiões brasileiras.

Mas uma brecha no edital do PEP, que prevê que o trigo possa ser levado para qualquer lugar exceto o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, permite que o mecanismo seja utilizado também em operações de exportação. O PEP também vem sendo utilizado nas exportações de milho --veja detalhes no link: .

NOVAS VENDAS

"Sei que está saindo (o produto para exportação). Mas não sei o preço, teve PEP de outubro saindo (embarcando) agora, PEP recente que vai sair só em março", disse Marcelo de Baco, da corretora gaúcha Agromercado.

Segundo Baco, o fato de o negócio ter sido viabilizado com o PEP acaba dificultando a estimativa de um valor dos acordos privados e mesmo de volumes, pois o mercado só acaba tendo certeza de que o produto foi exportado depois da emissão da Declaração de Exportação.

O valor do PEP disputado em leilão que viabilizou os melhores negócios foi de 178 reais a tonelada, pouco mais de um terço do valor da tonelada do trigo gaúcho.

As operações com PEP realizadas pelo governo desde o final do ano passado contemplaram cerca de 440 mil toneladas de trigo da safra 08/09.

O prêmio é pago para quem participou do leilão e conseguiu comprovar o escoamento da produção obtida no Estado de origem.

De acordo com Polidoro, há previsão de mais leilões de PEP neste ano, e uma reunião no dia 18, da Câmara Setorial das Culturas de Inverno, deverá discutir o assunto, já que a maior parte da safra gaúcha ainda está disponível para ser comercializada.

"Enquanto não tiver PEP, não tem saída mais praticamente de produto, nem para o Norte e Nordeste nem para exportação."

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