Importações de bens de capital devem cair 30% em 2009 por crise

Por Vanessa Stelzer SÃO PAULO (Reuters) - A escassez de crédito e a desaceleração econômica causarão uma queda de 30 por cento no volume de importações de bens de capital no Brasil em 2009, após o crescimento de 20 por cento previsto para este ano.

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A projeção foi feita nesta quarta-feira pela Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), que engloba 80 por cento do setor no país e que tem na indústria automotiva seu maior cliente.

Para amenizar a situação, o setor precisaria de mais acesso a crédito, juros menores, estabilidade do câmbio, alongamento de pagamentos de impostos e queda da Selic, segundo o presidente da entidade, Thomas Lee.

"As nossas máquinas são compradas quando há expansão de produção. Agora, há uma retração muito grande de compra de nossas máquinas, porque as empresas não estão aumentando a produção", disse Lee a jornalistas.

"Dependemos muito de crédito. Ninguém compra máquinas à vista. A situação está muito instável." Outros clientes importantes do setor incluem as indústrias aeronáutica, agrícola e de bens duráveis de linha branca.

Após o aprofundamento da crise, a Abimei já reduziu sua projeção para este ano, de alta de 30 para 20 por cento. O faturamento do setor passará de 2,4 bilhões de dólares neste ano para pouco menos de 2 bilhões de dólares em 2009, segundo Lee.

"Neste quarto trimestre não houve queda grande. Foram comprados os produtos dos contratos já fechados, apesar de não ter havido novas compras. Mas no primeiro trimestre de 2009 a queda será grande", afirmou Lee.

A recuperação, segundo ele, deve vir a partir de 2010. "Tomara que em 2010 já", torce Lee.

A Abimei prevê uma queda de preços das máquinas em 2009 --"não só por causa da recessão, mas porque as matérias-primas estão caindo no mundo todo", disse Lee-- e um aumento da inadimplência, mas não fez previsões em relação a demissões.

Segundo Alcino Bastos, diretor da entidade, os compradores estão negociando o pagamento das máquinas já encomendadas, sobretudo pedindo extensão de prazos. "Já há algumas demonstrações de inadimplência e isso vai aumentar (em 2009)."

Sobre o emprego, Bastos afirmou que embora muitas indústrias consumidoras de máquinas já tenham anunciado demissões ou férias coletivas, o setor quer tentar alternativas --como flexibilizações nas leis trabalhistas por parte do governo ou reduções de horas de trabalho e salários-- antes de demitir. A Abimei emprega diretamente 2 mil pessoas.

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