Imagens revelam o varejo de drogas em Brasília

iG teve acesso a imagens que revelam o tráfico de drogas no dia a dia do Distrito Federal

Leonardo Santos, iG Brasília |

A reportagem do iG teve acesso com exclusividade a imagens feitas por policiais da Coordenação Antidrogas (CAD) da Polícia Civil do Distrito Federal que mostram o varejo de drogas na capital do País. Elas fazem parte de uma série de inquéritos que levaram à prisão alguns dos traficantes que atuam no varejo do mercado de drogas da capital.

As imagens mostram traficantes que deixaram de se incomodar com a luz do dia e realizam suas vendas a céu aberto. Eles transformaram estacionamentos de grandes centros comerciais de Brasília em lugares estratégicos para a comercialização livre de todo tipo de entorpecente. Num esforço para evitar a institucionalização das cracolândias, a polícia civil recebeu a ordem do governo local de realizar operações rotineiras e passar a prender os pequenos traficantes de rua.

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Mas a facilidade de locomoção nestes locais dificulta a atuação dos investigadores. Na maioria dos casos, os traficantes são conhecidos entre os usuários e usam códigos para sinalizar que a droga está disponível. A tática ajuda a agilizar o repasse do entorpecente. Muitas vezes, quando a polícia age a droga já foi toda “pulverizada” entre os usuários.

A primeira sequência de imagens do vídeo foi feita próxima de um estacionamento do shopping Conjunto Nacional. Uma mulher grávida chega ao local trazendo pedras de crack em uma mochila. Ao se aproximar, outros usuários a seguem para fazer a compra. Ela senta com o grupo e faz o repasse dos entorpecentes.

Os investigadores se impressionaram com o fato de um dia antes de o vídeo ter sido feito, o marido da traficante foi preso por tráfico na mesma região. Eles estavam juntos, mas ela só foi enquadrada apenas como usuária. Aproveitou que ficou livre por mais um dia e assumiu o posto do companheiro. Mesmo grávida, a mulher foi flagrada traficando e fumando crack.

Crianças

Em outras imagens feitas no Setor Comercial Sul, também a poucos minutos do Congresso Nacional, um rapaz de blusa preta vende a droga tranquilamente durante o dia. Primeiro um usuário de camisa vermelha se aproxima e compra a substância. Em seguida um senhor vai acompanhado de uma criança para comprar os entorpecentes.

No vídeo é possível ver que o traficante não se incomoda com a presença da menina. Diversos usuários vão até o rapaz para comprar a droga durante o dia. Um outro traficante, moreno e de blusa listrada, aparece no vídeo dividindo a droga. A polícia também tirou estes traficantes de circulação das ruas.

Em conversas informais com alguns presos em operações rotineiras, o delegado da Coordenação Antidrogas (CAD) Luiz Henrique Dourado notou uma mudança no perfil dos usuários de crack no Distrito Federal. Segundo Dourado, cada vez mais a droga tem chegado à classe média trabalhadora.

Novas filmadoras

“Ainda não existe nenhum levantamento comprovando esta informação, mas eu reparei que o operário, o pedreiro e a empregada doméstica, que tinha um hábito de tomar uma ‘cachacinha’ no fim do dia para descontrair, tem optado fumar uma pedra de crack”, revela.

A ação da polícia de colocar os pequenos traficantes atrás das grades é dificultada pela baixa qualidade das imagens feitas pelos investigadores. Com câmeras ultrapassadas e que não realizam filmagens em alta definição, fica mais difícil convencer o juiz de que o traficante comercializava drogas quando foi preso em flagrante.

Muitas vezes, o trabalho de uma investigação inteira se perde por conta da baixa qualidade das imagens. A expectativa é que nos próximos meses a Polícia Civil adquira novas filmadoras de alta definição.

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