Brasília - Depois de cinco anos sem a presença das imagens dos orixás, os terreiros de candomblé e de umbanda de Brasília realizam hoje o Réveillon da Prainha com as estátuas do escultor baiano Tatti Moreno totalmente reformadas. A recuperação das imagens custou R$ 550 mil reais ao governo federal e foi feita por meio da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura.

Para os representantes das religiões de matrizes africanas, a destruição das imagens foi uma clara manifestação de intolerância religiosa e inaugurar a Praça do Orixás com as imagens restabelecidas significa uma vitória e também motivo de preocupação.

É uma grande vitória e também um motivo de preocupação. É necessário que se tenha segurança para que as estátuas não sejam depredadas novamente, considera Ribamar Fernandes Veleda, diretor de projetos e pesquisas da Federação Brasiliense e do Entorno e Umbanda e Candomblé.

A festa às margens do Lago Paranoá é organizada pelos terreiros desde 1963. A praça ganhou em 1992 as imagens. Em 2002, os ataques às imagens tiveram início com o desaparecimento do orixá Nanan. Dias depois, foi localizada em um lixão. Depois disso ocorreram sucessivos apedrejamentos das imagens até que em 2005 uma Iemanjá apareceu incendiada. 

Quando vimos a imagem de Iemanjá carbonizada, acho que sentimos o mesmo que a população brasileira quando a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi chutada na televisão. Era como se estivessem chutando a fé do povo brasileiro. Para nós, era como se tivessem incendiado um sacerdote ou uma sacerdotisa da Umbanda ou do Candomblé, comparou Veleda.

Veleda considerou ainda que a tolerância religiosa ainda é um debate que precisa de amadurecimento, mas que a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos foi um golpe contra o preconceito. A eleição de um negro para a presidência de um país deve ser comemorada. É uma lição para o mundo e deve fazer a sociedade brasileira pensar sobre esse assunto, destacou.

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