Idosas em Copacabana: elas mantêm o lar e, quando dá, se divertem

Estela Gonçalves, de 75 anos, mora com a filha e os dois netos em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio. Viúva e aposentada, ela mantém a residência com a pensão deixada pelo marido, pagando quase todas as contas do lar e parte dos estudos dos netos. Exemplos como o de Estela são cada vez mais comuns hoje no Brasil.

Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio |

Reprodução
Copacabana
Em Copacabana, idosos se divertem e melhoram a qualidade de vida

Na avaliação de Estela, a filha, divorciada, não conseguiria manter uma residência com o salário que ganha. Lá em casa, a minha filha só fica responsável pelo condomínio e pelo curso de inglês dos meus netos. O restante eu pago com minha aposentadoria e com a pensão deixada pelo meu marido. Dou graças a Deus em poder ajudá-los. É muito bom viver dessa maneira, já que assim possuo a companhia deles no meu dia-a-dia e não fico sozinha, conta.

Esse modelo de família é comum em Copacabana. Lina Ribeiro, de 70 anos, vive com a filha, o genro e o neto em um apartamento no bairro. Lina, no entanto, não paga nenhuma despesa no lar. A filha, que trabalha no consulado americano, faz questão que a mãe use toda a aposentadoria que recebe para uso próprio.

"Dou graças a Deus em poder ajudá-los. É muito bom viver dessa maneira, já que assim possuo a companhia deles no meu dia-a-dia e não fico sozinha"

Aproveito o dinheiro que recebo para ir ao teatro, cinema e tomar um café com algumas amigas. Também adoro ir ao baile de dança aos domingos no Clube Municipal. Não tenho o que reclamar da vida. Todo dia de manhã faço uma caminhada na orla e também freqüento as aulas de alongamento de um centro de convivência da Prefeitura aqui no bairro, diz Lina, que confessa ser fã de produtos de beleza e, portanto, emprega parte da aposentadoria comprando as novidades do mercado de cosméticos.

Uma vida leve, com atividades físicas e momentos de lazer. Era assim que Marisa Toledo, de 65 anos, gostaria de viver. Marisa mantém a casa onde vive com a mãe, de 90 anos, e o neto, de 24 anos, recém-formado em odontologia. Administradora aposentada, Marisa conta que os dois foram morar com ela quando a filha e o genro faleceram. Além da faculdade do neto e dentista, a aposentada custeou o início do curso superior de outro neto ¿ por três vezes.

Esse meu outro neto iniciou três faculdades, uma de cada vez, e desistiu de todas elas. A faculdade do já formado eu também paguei. Para minha mãe, eu contratei uma assistente que lhe dá banho e troca a fralda. Conto ainda com a ajuda de uma faxineira. Meu salário é usado assim, revela. Há oito anos, desde que minha mãe veio morar comigo, que não viajo. Ela não gosta de sair e acabo ficando em casa para fazer companhia.

"Eu prefiro continuar morando na minha casa, assim mantenho minha independência"

Futura Press
 idosos no Caramanchão da Praça Saens Peña, tradicional ponto de encontro das pessoas da terceira idade que moram na Tijuca
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Como todas as idosas citadas nesta reportagem, Helena Rodrigues, de 82 anos, mora em Copacabana e, com a aposentadoria que recebe, mantém a casa. Desde que ficou viúva, há dez anos, Helena mora sozinha. Segundo ela, com a aposentadoria que recebe se mantém perfeitamente e aproveita a vida.

Minhas filhas já estão formadas e moram em outros bairros com suas famílias. Eu prefiro continuar morando na minha casa, assim mantenho minha independência. Com a aposentadoria que recebo e a herança deixada por meus pais, eu vivo muito bem. Contratei uma empregada que faz as tarefas do lar e aproveito a vida como posso. No ano passado, fui à Europa com amigas e pretendo viajar novamente no réveillon, conta.

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