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Ideli: Lula ficou contrariado com candidatura Sarney

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou profundamente contrariado com a decisão do senador José Sarney (PMDB-AP) de se candidatar à presidência do Senado depois de passar dois meses afirmando que não disputaria o cargo. A informação sobre a reação de Lula foi divulgada, em entrevista, pela líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), que se reuniu hoje com o presidente de seu partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), e com o senador Tião Viana (AC), candidato petista ao comando do Senado.

Agência Estado |

"Estamos lamentando que a situação tenha chegado a este grau de constrangimento", disse a senadora. Segundo ela, Sarney disse para o próprio Lula que não seria candidato. "Nenhum presidente da República ficaria satisfeito com a situação", afirmou Ideli. "Só para o Tião, olho no olho, Sarney falou cinco vezes que não disputaria. E até por essa razão é que o PT lançou a candidatura", acrescentou a senadora.

Ao contrário do que ocorre na Câmara - onde o PMDB e o PT fizeram um acordo em favor da candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Casa - no Senado não houve nenhum entendimento nesse sentido. Apesar disso, os petistas se sentem traídos, agora, com o lançamento da candidatura de Sarney.

Na reunião com os senadores, Berzoini confirmou, entretanto, que o PT honrará o compromisso com Michel Temer. Em relação à candidatura de Tião Viana, Ideli enfatizou: "Ela é irreversível. Agora, ele não tem condições políticas para recuar. Vamos para o embate, para o voto". Em relação a Sarney, a senadora disse mais: "Não conseguimos ainda entender a candidatura dele."

Enquanto Tião Viana se reunia com Berzoini e Ideli, Sarney estava em casa fazendo campanha por telefone. Ele recebeu a visita do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que reiterou que anunciará na quarta-feira da próxima semana, em reunião da bancada, a decisão de desistir formalmente de disputar a reeleição.

Como o PMDB vai fechar com Sarney, Tião Viana ainda tenta garantir votos entre os dissidentes do partido, a exemplo dos peemedebistas Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). Os 26 votos do PSDB e do DEM são os principais alvos dos dois candidatos. "O voto é secreto e pode ter traições tanto para o nosso lado quanto para o lado de lá. É para o bem e para o mal", avaliou Ideli. Hoje, o PDT reafirmou seu compromisso com a candidatura de Tião Viana, em reunião da cúpula nacional.

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