Idade ainda é maior obstáculo para engravidar, dizem especialistas

A falta compasso entre carreira e ritmo biológico está adiando a maternidade da mulher moderna. Por dentro, ela continua igual há décadas: a natureza ainda espera por uma gravidez aos vinte e poucos anos.

Agência Estado |

No entanto, a biologia não contava com anos extras de estudo e com trajetórias profissionais que atrasariam em quase dez anos o relógio biológico. Para ajudar a realizar esse sonho, a medicina reprodutiva avança e novos tratamentos surgem. Mas, segundo especialistas, o maior obstáculo para engravidar ainda é a idade da mulher.

Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e do Setor de Infertilidade Conjugal do Hospital Pérola Byington, Artur Dzik diz que engravidar tardiamente pode trazer consequências negativas para a saúde da mãe e do bebê. “A prevenção do câncer de mama e de ovário associada à maternidade é mais frequente nas mães que têm entre 20 e 30 anos”, exemplifica. “Além disso, o risco de ter diabete, hipertensão e problemas placentários é um pouco maior na mulher que engravida tardiamente.” A incidência de doenças graves no feto também aumenta conforme a idade da grávida avança. Ainda assim, diz Dzik, principal problema é engravidar.

Na opinião de Dzik, as mulheres têm a falsa ilusão de que a medicina reprodutiva pode recuperar o tempo perdido. “A gente pode fazer muita coisa, mas o obstáculo maior ainda é a idade da mulher. Quem posterga a gravidez pode ter escolhido não ter filhos. A mulher que malha todos os dias, cuida da pele e parece mais jovem acha que pode tudo. É difícil para ela entender que a aparência jovial não se reflete na idade ovariana. Atrasar a maternidade é uma tônica da mulher moderna, mas a natureza é implacável".

Óvulos

“Ela tem 38 anos, fez MBA, é diretora de uma multinacional, morou um tempo fora do País e não teve tempo de achar um parceiro, mas tem o desejo de ser mãe. Esse é o perfil das mulheres que buscam o congelamento de óvulos. O desejo de ser mãe pode até tardar, mas não falha”, acredita o médico Eduardo Motta, diretor do Centro de Medicina Reprodutiva Huntington e doutor em ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo Motta, a idade avançada ameaça o sucesso de qualquer tratamento de fertilização. “A chance de engravidar pelo método in vitro é de 50% antes dos 35 anos e cai para 20% por tratamento após os 40”, diz. Motta lembra que a opção pelo congelamento de óvulos tem sido cada vez mais comum. O médico garante que o envelhecimento das mamães é uma tendência já que atualmente 70% de suas pacientes têm mais de 35 anos, com demanda crescente acima dos 40 anos.

AE

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