IBP diz que governo pode rever Petrobras como operadora única

Por Marcelo Teixeira SÃO PAULO (Reuters) - O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), entidade que reúne as empresas do setor, acredita que a questão da Petrobras ser operadora exclusiva dos campos do pré-sal não está fechada e que há espaço no governo para flexibilização desta proposta.

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"Eu começo a sentir que o governo pode estar aberto a reconsiderar a questão da Petrobras como operadora única", disse a jornalistas nesta quinta-feira o presidente do IBP, João Carlos de Luca.

"Eu acredito muito na razoabilidade dos nossos argumentos e na busca de um modelo que garanta a atração do investimento", acrescentou ele, após participar de um debate sobre o tema em São Paulo, do qual participou também o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa.

O IBP tem centrado suas críticas às mudanças propostas na legislação do setor de petróleo à questão da exclusividade para a Petrobras operar todos os campos ainda não licitados, dizendo que isso afastaria investimentos de outras empresas e deixaria áreas menos promissoras da região inexploradas.

"O problema desse sistema é que vai remeter outras empresas do setor a uma participação absolutamente secundária", afirmou De Luca.

"Temos que reservar espaço para que outras empresas, nacionais e estrangeiras, possam operar. Deixa a Petrobras cuidar das áreas especiais, prioritárias, dos grandes clusters como de Tupi, mas deixa espaço também para as outras".

Barbassa, por sua vez, defendeu a exclusividade, argumentando que a Petrobras é quem mais possui conhecimentos sobre a região e que a exploração das regiões mais distantes e promissoras necessita de economia de escala, ou seja, quanto maior a operação mais racional será o custo.

"Isso será bom para todos os agentes, para os investidores parceiros nos consórcios, para o governo", disse o executivo da estatal.

Questionado se já havia percebido algum movimento do governo junto à estatal no sentido de alterar a questão do operador único, ele afirmou: "Se o governo quiser mudar, ele não precisa discutir com a Petrobras".

O presidente do IBP informou que a entidade encaminhou sugestões sobre emendas nos projetos do novo marco regulatório para vários deputados e que muitos deles adotaram algumas delas.

O projeto que institui o sistema de partilha para a exploração do pré-sal e que torna a Petrobras a operadora única desses blocos já recebeu mais de 300 emendas na Câmara dos Deputados.

(Edição de Denise Luna)

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