IBGE: maioria das vítimas de roubo e furto não procura a polícia

Índice de roubos e furtos aumentou no País desde a última pesquisa, mas população ainda não procura a polícia na maioria dos casos

Daniel Torres e Márcio Apolinário |

Depois do assalto, o silêncio. Essa é a reação da maioria da população brasileira após ser vítima de roubo ou furto, segundo um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Apesar desse modelo de crime ter aumentado nos últimos 21 anos, a maioria das vítimas de roubos e furtos, entre 2008 e 2009, não prestou queixa à polícia.

A pesquisa “Características da Vitimização e do Acesso à Justiça no Brasil em 2009”, feita a partir dos dados coletados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostra que, entre 27 de setembro de 2008 a 26 de setembro de 2009, 11,9 milhões de brasileiros de 10 anos ou mais de idade foram vítimas de roubo ou furto.

Na comparação com outra pesquisa realizada 1988, houve um aumento no número de vítimas de 5,4% para 7,3%. Esse crescimento foi verificado em todas as regiões do País, com destaque para o aumento nas áreas urbanas das regiões Norte e Centro-Oeste (de 6,6% para 10,3%) e na região Nordeste (4,3% para 7,5%).

Apesar do crescimento, o estudo mostra que essa tendência pode não ter chegado ao conhecimento das autoridades policiais. Isso porque a pesquisa também revela que apenas 48,4% das pessoas (2,9 milhões) que foram vítimas de roubo, entre 2008 e 2009, procuraram a polícia. Os números de registro de furto são menores ainda: só 37,7% (2,4 milhões) das vítimas foram atrás da polícia após o crime.

Esse é o caso de Mariana Martins, de 24 anos, paulistana, que em cinco assaltos que já sofreu, registrou Boletim de Ocorrência (B.O.) em apenas uma ocasião. “A única vez que registrei ocorrência na delegacia foi há três anos, quando me roubaram o celular. Fui até á delegacia, tomei uma canseira danada e no final das contas não usei o B.O. para nada. Daí em diante eu decidi que não faria mais registros. Demora demais para finalizar, para não usar. É uma dor de cabeça à toa”, afirma.

Distribuição das pessoas que não procuraram a polícia em decorrência do último roubo ou furto que foram vítimas, no período de referência de 365 dias

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IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009.

Segundo a pesquisa, os motivos para 51,6% das vítimas de roubo não terem procurado a polícia são por não acreditarem na polícia (36,4%) e por não ter considerado importante recorrer à policia (23,1%). Mesmo entre as vítimas de roubo que procuraram a polícia, mas não fizeram o registro da ocorrência, 24,9% afirmaram não acreditar na polícia.

De acordo com o questionário aplicado pela Pnad, 62,3% das vítimas de furto não procuraram a polícia e os principais motivos apontados foram a falta de provas (26,7%) e o sentimento de não considerar importante procurar a polícia (24,4%).

“Mesmo quando sofri um roubo um pouco mais violento optei por não ir até a delegacia. Estava conversando com minha mãe no celular, na esquina da avenida Paulista com a rua Augusta (em São paulo), quando uma garota, aparentando ser moradora de rua, chegou e puxou meu telefone, eu puxei de volta e ela me agrediu. Mesmo assim não fiz B.O., eu sabia que não daria em nada, de novo”, conta Mariana.

Perfil da vítima

Os maiores percentuais de vítimas de roubo ou furto foram verificados entre as pessoas de 16 e 34 anos de idade, do sexo masculino e residente na área urbana. No que se refere a cor, o levantamento apontou percentuais similares entre as pessoas de cor branca (7,3%) e parda (7,2%), ambas abaixo das ocorrências com pessoas da cor preta (7,9%).

A análise dos crimes observados ainda mostrou que quanto maior a classe de rendimento, maior o percentual de pessoas vítimas dos crimes em questão: 11,6% das pessoas que residiam em domicílios com rendimento mensal domiciliar per capita com cinco salários mínimos ou mais foram vítimas de roubo ou furto. Na classe referente a menos de ¼ do salário mínimo, o percentual de vítimas foi de 4,7%.

Alvo do crime

Em se tratando dos objetos-alvos de roubo e furto, a liderança está com o telefone celular e o dinheiro, cartão de débito ou de crédito, ou cheque como os de maior ocorrência. Nas regiões Norte e Nordeste, os percentuais de roubo e de furto de telefone celular ultrapassaram o de dinheiro, cartão de débito ou de crédito, ou cheque, tendo ocorrido o inverso nas regiões Sudeste e Sul.

Por região

A pesquisa também apresentou os números da violência por região. No Norte do País foram registrados os maiores percentuais de vítimas dos crimes de tentativa de roubo ou furto (7,0%) e de roubo (5,6%), e foi na região Centro-Oeste onde, em termos percentuais, o crime de furto atingiu maior proporção (5,5%).

As regiões Sudeste (6,7%) e Sul (6,8%) foram as que apresentaram os menores percentuais de vítimas de roubo ou furto. Analisando os dois tipos de crime separadamente, há distinção entre essas duas regiões. Na região Sudeste, os percentuais de vítimas de roubo e de furto foram, respectivamente, 3,4% e 3,5%, enquanto na região Sul, a ocorrência de furto atingiu quase o dobro (4,6%) do verificado para as vítimas de roubo (2,5%).

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