Ian Fleming escapa da sombra de James Bond em seu centenário

Pedro Alonso Londres, 16 abr (EFE).- O personagem James Bond, o famoso espião com licença para matar, sempre ofuscou seu criador, o escritor inglês Ian Fleming, mas o autor ganha agora atenção em Londres com uma grande exposição montada para comemorar o centenário de seu nascimento.

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A mostra, que tem o sugestivo título de "For Your Eyes Only" ("Somente para seus olhos"), fazendo alusão a uma obra homônima sobre o agente 007 publicada em 1960, está montada no Museu Imperial de Guerra e é o primeiro de vários eventos organizados no Reino Unido para comemorar os 100 anos de nascimento de Fleming.

A exposição, que começa na quinta-feira e termina no dia 1º de março de 2009, mergulha na vida de Fleming (1908-1964) e revela como suas experiências de vida contribuíram para a criação do agente secreto que sempre atua ao serviço de "Vossa Majestade".

De acordo com a mostra, montada em sete salas interligadas, nem sempre é possível enxergar a linha que separa o escritor do personagem. Com isso, o visitante se pergunta se o próprio autor não se reinventou no célebre espião.

"Fleming sempre tentava deixar claro que ele não era James Bond, mas quando lhe perguntavam isso, respondia com bom humor que não poderia dizê-lo'", disse James Taylor, comissário da mostra.

Filho de uma família moradora do seleto bairro de Mayfair, em Londres, o pai do agente 007 começou a trabalhar como jornalista na agência de notícias "Reuters", onde aprendeu a "escrever rápido e, sobretudo, a ser preciso".

Para ganhar "dinheiro de verdade", Fleming deixou a "Reuters" para trabalhar no mercado financeiro e - segundo o próprio escritor - foi "o pior corretor de bolsa de valores do mundo".

Assim como Bond, o escritor gostava de gastar seus salários e seu tempo com mulheres, golfe, álcool e jogo.

Entretanto, Fleming costumava fazer apostas bem menores do que as do personagem que criou, capaz de pôr em jogo toda a segurança do Ocidente no vermelho ou no preto.

Com a explosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Fleming ingressou na Divisão de Inteligência Naval do Reino Unido às ordens do almirante John Godfrey, apelidado de "tio John" e que foi mais tarde sua inspiração para "M", pseudônimo do chefe do serviço de espionagem do país, o MI6.

A exposição ressalta que, ao contrário do espião fictício, o romancista não esteve presente nas primeiras linhas de combate, mas chegou a elaborar criativos planos para enfraquecer a ofensiva nazista e acumulou experiências que incorporou em sua literatura.

"As tramas de Bond foram retiradas das minhas lembranças da guerra, as quais poli, acrescentei um herói, um vilão e uma heroína, e assim saiu o livro", contou certa vez Fleming.

Após o conflito, o escritor se casou em 1952, ano em que escreveu "Cassino Royale", o primeiro livro sobre o agente secreto, em uma mesa de sua casa jamaicana, apelidada de "Goldeneye", e que pode ser vista no Museu Imperial de Guerra.

Fleming - cujos manuscritos, fotos, mobília e até uma receita datilografada de seu prato favorito, ovos mexidos, são exibidos na mostra - publicou 14 romances sobre 007 que inspiraram 21 filmes que conquistaram o mundo.

Como é de se esperar, não poderiam faltar na exposição objetos relacionados aos filmes de James Bond, como a camisa ensangüentada usada por Daniel Craig, o último ator a encarnar o espião, em "Cassino Royale" (2006).

Embora faça falta a presença de um Aston Martin, carro preferido de Bond, o público poderá ver o agasalho vestido por Sean Connery - até hoje o ator mais identificado com o personagem - em "007 contra o Satânico Dr. No" (1962).

Outros objetos em exposição são os sapatos armados com facas da personagem Rosa Klebb, vilã interpretada por Lotte Lenya em "Moscou Contra 007" (1963), e o biquíni laranja usado por Halle Berry em "Um Novo Dia Para Morrer" (2002).

Além da mostra, será publicado no dia 28 de maio - quando Fleming completaria 100 anos - um novo romance de Bond, escrito pelo renomado escritor inglês Sebastian Faulks.

Muito pouco se sabe das novas aventuras do agente 007 - que mantêm "bondmaníacos" de todo o mundo apreensivos -, mas o título do chama a atenção: "Devil may care" ("De Possível Interesse do Diabo", em tradução livre). EFE pa/bba/fb

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