SÃO PAULO ¿ O escritor e jornalista Humberto Werneck lança hoje o livro O Pai dos Burros. É um livro que cabe na palma da mão, mas tem 4.500 expressões espalhadas por 2 mil verbetes, um dicionário de clichês capaz de envergonhar qualquer autor.

Werneck diz que não escreveu o livro para punir os proscritos da linguagem. Jura que não tem vocação para policial dos excessos semânticos. Ao colecionar frases feitas e lugares-comuns desde 1972, ele só teve a intenção de incentivar a reciclagem criativa de expressões. 

No começo, conta, anotava expressões banais, frases repetidas à exaustão e palavras com prazo de validade vencido. Mais de uma vez, diz, teve vontade de atirá-las ao lixo numa daquelas heroicas faxinas de escritório. No entanto, refletindo melhor, viu que elas poderiam divertir a moçada.

Convertido em gari da semântica, Werneck passou a colecionar expressões como escola da vida, origem humilde e escória humana. É certo que, no ato de registrar tais palavras, autores preguiçosos costumam se servir da escrita automática consagrada pelos surrealistas. O livro de Werneck quer justamente recomendar desconfiança diante de tanta facilidade. Nada de bom pode vir desse automatismo, afirma.

Um obcecado pela funcionalidade da linguagem, Werneck revela que sua padroeira é Xerezade, a contadora de histórias de Mil e Uma Noites, cuja capacidade de invenção lhe garantiu a sobrevivência. É tudo o que a nova geração da internet não consegue. Há uma certa uniformização da linguagem que me preocupa, observa.

Serviço ¿ Lançamento de "O Pai dos Burros"
Terça-feira (25), às 18h30
Arquipélago Editorial (208 pgs), R$ 29
Livraria Cultura, São Paulo
Av. Paulista, 2073
Informações: (11) 3170-4033

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