Hugo Chávez desfila como uma estrela no Festival de Veneza

O presidente venezuelano Hugo Chávez desfilou como uma estrela do cinema nesta segunda-feira em Veneza, em ocasião da estreia mundial do documentário South of the Border do diretor norte-americano Oliver Stone, sobre as mudanças políticas na América Latina desde a sua eleição em 1998.

AFP |

Vestido com um terno negro e gravata vermelha, Chávez desfilou como uma estrela do cinema pelo tapete vermelho em frente ao Palácio do Cinema do Lido, onde cumprimentou pequenos grupos de militantes de esquerda que agitavam bandeiras vermelhas e exibiam cartazes com a imagem de Che Guevara.

A presença de um chefe de Estado estrangeiro para o lançamento mundial de um filme é um fato inédito na história do festival de cinema mais antigo do mundo.

O documentário de Stone "representa parte do renascimento da América Latina", declarou à AFP Chávez, que ao término da exibição se aproximou do público para falar da história do continente, da colonização e de suas tragédias.

Nenhum membro do governo de direita de Silvio Berlusconi acompanhou o presidente latino-americano, que foi convidado pelo mesmo Stone para o lançamento oficial do filme, apresentado fora de competição.

"É uma honra para mim, sobretudo para Stone, que o presidente venezuelano assista à estreia em Veneza", comentou à AFP Marco Muller, diretor da Mostra.

As primeiras imagens do documentário, com a apresentadora da Fox News fazendo insinuações de que o "ditador" Chávez se drogava porque todas as manhãs consumia "folhas de cacau", não geraram reações do público, ao contrário da exibição para a imprensa, que reagiu com gargalhadas.

O documentário, em que sete presidentes latino-americanos são entrevistados, foi recebido sem empolgação pela crítica cinematográfica.

O jornal La Repubblica classificou o filme de Stone de retrato "benévolo" de Chávez e o Il Corriere della Sera o chamou de "hagiografia" (história da vida dos santos), ao descrever apenas aspectos "mais fáceis" do movimento bolivariano.

"Foi eleito 12 vezes. Qual ditador passou por um número tão elevado de votações?", ressaltou Stone em uma entrevista coletiva à imprensa.

O documentário apresenta Chávez sorridente, aclamado pelo povo e evita abordar assuntos delicados internos e da atualidade como os protestos dos opositores e as críticas à censura feita à imprensa.

"Chávez é um fenômeno, um herói", assegurou Stone à imprensa, que considera o líder venezuelano "o primeiro mandatário latino-americano que desafiou o Fundo Monetário Internacional".

Stone, de 62 anos, ganhador de três Oscar pelo roteiro do filme "O expresso da meia-noite" (1978) e pela direção de "Platoon" (1986) e "Nascido em 4 de julho" (1989), considera que Chávez representa "a mudança" que a América Latina atravessa atualmente.

kv/dm

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