HPV: preservativos e exames periódicos previnem esse mal

HPV: preservativos e exames periódicos previnem esse mal Por Adriana Bifulco São Paulo, 09 (AE) - São cada vez mais alarmantes os números de casos de câncer de colo de útero provocados pelo HPV (Papilomavirus Humano). Este ano, estima-se que aproximadamente 500 mil casos ocorram no mundo, levando a 230 mil óbitos.

Agência Estado |

No Brasil, a estimativa dada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de aproximadamente 19 mil casos e 5 mil óbitos. Mas esses números poderiam se tornar muito menores se as mulheres fizessem exames periódicos, como o Papanicolau. Além de usar preservativos como prevenção, esta é a única alternativa para tratar o problema logo no início.

"A via sexual é a forma mais freqüente para uma pessoa contrair o HIV. Mas também pode haver contágio por via não sexual: auto-inoculação, objetos íntimos de uso comum, instrumental médico-dentário incorretamente esterilizado ou materno fetal (pelo canal de parto)", explica Renata Belotto, especialista em ginecologia e obstetrícia, patologista do trato genital inferior, colposcopia, especialista em DST/Aids e médica assistente do setor de geniscopia/laser do Centro de Referência e Saúde da Mulher do Hospital Pérola Byington, além de coordenadora da área de ginecologia da Sociedade Brasileira de Laser.

SINTOMAS - Muitas vezes eles podem passar despercebidos, segundo Renata, mas também podem surgir como prurido (coceira), ardor e verrugas na região genital de homens e mulheres. "A doença é descoberta através de exames como o Papanicolau, colposcopia, vulvoscopia, peniscopia e biologia molecular" (veja quadro abaixo). "Mas vale ressaltar em que apenas 20% a 40% dos casos os dois parceiros sexuais irão apresentar a doença, e que somente em 50% das vezes o HPV estará envolvido com câncer de pênis, enquanto na mulher está em 98%", explica.

HPV DE BAIXO E ALTO GRAU - Para o HPV culminar em câncer são necessários cerca de 10 a 15 anos, de acordo com Jorge Souen, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e chefe do setor de oncologia ginecológica dos hospitais das Clínicas e Sírio-Libanês. "Mas nem todo HPV pode resultar em câncer. Existem os de alto grau e os de baixo grau", esclarece Marco Antônio de Miranda Ribeiro, infectologista dos hospitais Emílio Ribas e São Luiz-Itaim.

Segundo Souen, não há remédio para destruir o vírus. O paciente deve ficar de sobreaviso e fazer exames periódicos. "A maioria das lesões pode se curar sozinha. Mas também pode-se curá-la através de tratamento", diz Marco Antônio.

MÉTODOS - De acordo com Renata, existem métodos químicos, que irão promover a destruição local da lesão, como cremes e ácidos específicos". "Entre os métodos cirúrgicos existem as cauterizações, as cirurgias de alta freqüência, laser de CO2 e ainda cirurgias convencionais. Já como métodos imunoterápicos podemos contar com as pomadas consideradas modificadores de resposta imune, vitaminas e imunomoduladores que visam melhorar a resposta imunológica do indivíduo na tentativa de diminuir a quantidade de vírus e ajudar em sua eliminação", esclarece a especialista.

As vacinas, ela informa, são consideradas como formas de prevenção de câncer de colo de útero. "Já estão aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) duas vacinas que envolvem quatro tipos virais (6, 11, 16 e 18) e dois tipos virais (16 e 18)". "Mulheres de 9 a 26 anos podem tomar essa vacina", alerta Marco Antônio. "Trata-se de uma vacina Anti-HPV, que deve ser ministrada em todas as mulheres a partir dos 9 anos, que ainda não tiveram relações sexuais. No entanto, ela pode ser aplicada em mulheres de risco de qualquer idade e mesmo que já sejam portadoras do vírus, pois pode protegê-las de outros sub-tipos da moléstia", finaliza Souen.


BOXE 1: EXAMES PARA DETECÇÃO DO HPV

A doutora Renata Belotto explica, na seqüência, quais as formas usadas pelos médicos para descobrir se a paciente é portadora de HPV:

- Exame clínico - as lesões são observadas durante o exame físico ginecológico;
- Análises laboratoriais:

- Exame citológico - É o Papanicolau (colpocitologia oncótica), que avalia o aspecto das células, identificando alterações que podem sugerir HPV ou outros processos inflamatórios inespecíficos. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta coleta citológica (Papanicolau) de 25 a 59 anos de idade;
- Colposcopia/vulvoscopia/peniscopia - Consiste em avaliar a região genital com o uso de um colposcópio. É um sistema de lentes de aumento que, após o uso de corantes específicos, mostra os locais suspeitos para que seja realizada biópsia. A anuscopia/retossigmoidoscopia e oroscopia têm a mesma indicação nas suas respectivas regiões;
- Anatomia patológica - Refere-se ao estudo da biópsia realizada pela colposcopia, ou seja, o fragmento de tecido removido para estudo é avaliado desde graus mínimos até extensos de comprometimento;
- Biologia molecular - Refere-se às técnicas mais específicas de identificação do vírus e quantificação, classificando-os (como A ou B) e orientando a conduta a ser tomada. É a técnica que procura identificar o DNA viral através de sondas específicas, o que mostra um melhor controle da doença;

Boxe 2: OUTROS EXAMES QUE IDENTIFICAM O TUMOR
Segundo o doutor Jorge Souen, fazer o Papanicolau anualmente é fundamental. Mas também existem outros exames que detectam o tumor, como a Captura Híbrida. "Ele permite identificar a preservação do vírus e, a partir daí, é preciso tomar mais cuidado com as pacientes".

Através da captura híbrida pode-se diagnosticar a presença do vírus antes mesmo da paciente ter qualquer sintoma. É um exame recomendado para mulheres que têm mais de 30 anos e cujos exames de Papanicolaou apresentaram resultados alterados, considerados como de risco elevado para câncer de colo de útero.

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