Houve uma luta, diz médico que está sendo julgado por assassinato

SÃO PAULO - Houve uma luta. Esta foi uma das primeiras frases ditas pelo médico Farah Jorge Farah, que sentou-se nesta terça-feira, às 15h30, no banco dos réus do 2º Tribunal do Júri da Capital para ser julgado pela morte de Maria do Carmo Alves, em janeiro de 2003, com quem alega ter tido um relacionamento amoroso.

Agência Estado |

O julgamento atrasou cinco horas porque a Justiça se esqueceu de intimar uma testemunha de defesa, sem a qual o júri não poderia ser realizado.

Ao chegar ao Fórum, por volta das 10 horas, o réu se desequilibrou e caiu, apesar de usar uma bengala, por ter uma das pernas pouco firme, por causa de problemas de saúde.

A imagem de um senhor com as condições físicas debilitadas contrastou com uma linha de raciocínio forte. "Houve uma luta", foi a primeira frase de Farah ao juiz Rogério de Toledo Pierri, que preside o julgamento em que Farah é acusado de homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe (vingança) e dissimulação, uma vez que teria atraído a vítima ao local do crime sem que ela pudesse imaginar o desfecho dos fatos - e ocultação de cadáver.

Consta da acusação feita pelo promotor Alexandre Marcos Pereira que o médico anestesiou e em seguida dissecou a vítima. Foi legítima defesa, disse o réu, às 16h30, para resumir sua versão dos fatos. O que houve depois da luta corporal, que alega ter tido com a vítima, seria interpretar um sonho ou um pesadelo.

Segundo ele, após ter desarmado Maria do Carmo, que supostamente o procurou munida com uma faca, não se lembra de mais nada. Farah deixou claro que o crime ocorreu após pelo menos cinco anos de uma perseguição insistente e desmedida por parte de Maria do Carmo.

Eu não tenho nada a perder, alega ter ouvido da vítima numa delegacia de polícia, em 2000, quando registrou um boletim de ocorrência contra ela. Fiquei com medo, afirmou o médico. E repetiu isso por dezenas de vezes, dizendo que ela era uma ameaça para ele, suas funcionárias e sua família.

Um perito do Conselho Regional de Medicina (CRM), que entrevistou Farah pouco após o crime - para saber se ele ainda tinha condições de exercer a medicina -, declarou que ele possui traços de personalidade anti-social e histriônicos. Alguma teatralidade, foi a expressão usada pelo perito para dizer que Farah se comporta o tempo todo como se estivesse representando.

Estão arroladas para falar no julgamento 23 testemunhas - 13 da defesa e 10 da acusação. A previsão era de ouvir o maior número de pessoas nesta terça para, em seguida, exibir dois filmes a pedido do advogado Roberto Podval, defensor do médico: "Atração Fatal" e "Tomates Verdes Fritos".

Em seguida, como a defesa e a acusação concordaram em abolir a leitura de peças do processo durante o julgamento, cada um terá direito a falar quatro horas, além da réplica e da tréplica. A previsão é de que o júri demore mais um ou dois dias.

"Espero por justiça"

A mãe de Maria do Carmo, Alice Paulice Silva, e o pai dela, Amaro Silva, vieram com a família assistir ao julgamento. Espero por justiça, quero que ele fique preso por muito tempo. Só eu sei o que sofri por ela.
Alice fez questão de dizer que Maria e Farah nunca foram amantes e se revoltou com essa sugestão da defesa.

Minha filha era evangélica, odiava adultério. Ela era casada e não precisava desse velho, afirmou a mãe, que disse considerar o marido de sua filha, o porteiro João Augusto de Lima, como seu filho.

Indagada se já havia encontrado o réu alguma vez, Alice disse que não. Se pudesse não olharia para ele, para aquelas mãos assassinas que tiraram a vida da minha filha.


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