Hospital suspende transplante e começa a fechar leitos no Rio

RIO DE JANEIRO - O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) suspendeu nesta segunda-feira, por tempo indeterminado, a realização de todos os tipos de transplantes em decorrência de um processo de endividamento de cerca de R$ 10 milhões e de, segundo a direção do estabelecimento, não reajuste do orçamento desde 2004.

Redação |

Referência nacional em procedimentos de alta complexidade, como o transplante hepático, a unidade é vinculada ao Ministério da Educação e, por causa das dificuldades relatadas, não está realizando as marcações de cirurgias ou mesmo procedimentos de coleta de sangue. A direção do Clementino Fraga Filho informou que será obrigada a fechar parte dos quase 500 leitos do hospital caso o situação não melhore. 

O quadro é precária de acordo com testemunhas e com representantes da equipe médica: apenas um equipamento de radio-x, dos dez disponíveis, de está funcionando; cirurgias eletivas só estão sendo realizadas após o médico responsável checar se há insumos, caso contrário o paciente não é internado; só há material para realizar hemogramas (exames de sangue) por mais dois dias; e o serviço de medicina nuclear só tem material radioativo para uma semana, sem esse material não há como funcionar.

Segundo a direção do Clementino Fraga Filho, o hospital não tem orçamento próprio e vive da prestação de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, os pagamentos de todos os insumos são feitos em valores de 2008, mas o Hospital recebe por tabela pactuada em 2004 e a dívida gira em torno de R$ 10 milhões. De acordo com Alexandre Pinto Cardoso, diretor geral do HUCFF, as necessidades acadêmicas e assistenciais crescem a cada dia e geram necessidades de pessoal, que também são assumidas pela unidade.

De 2004 para cá, a inflação hospitalar aumentou muito. Enquanto não houver reajuste da tabela de pagamento pelos nossos serviços, enquanto o MEC não orçamentar os hospitais universitários com recursos de custeio e urgente concurso público para sanar o déficit de pessoal, esses problemas vão voltar a se repetir, declara ele, que foi para Brasília na manhã desta terça-feira para uma reunião com representantes do Ministério da Educação.

Secretaria municipal acusa má gestão

A coordenadora de regulação do SUS, Márcia Freitas, informou que a prefeitura do Rio não tem nenhuma dívida com o hospital. Não é verdadeira a informação de que o município atrasa os repasses. Acreditamos que há um problema de gestão. Dependemos que a unidade mande para nós um documento com suas necessidades para que possamos ver, se for o caso, a necessidade de destinar mais verbas, declarou.

Márcia disse que o hospital recebe mais de R$ 5 milhões em repasses por mês, provenientes de recursos do Estado - que administrou a unidade de março de 2005 a dezembro de 2006 ¿ e do município, que assumiu a gestão desde então. A coordenadora também informou que a unidade de saúde recebe verba do MEC e do Ministério da Saúde. Faltar insumo, sangue, fio de sutura, acho que isso é questão de gestão local, criticou.

Unidade referência

O HUCFF realiza 25 mil consultas mensais e conta com um corpo médico formado por 3,5 mil profissionais. O Hospital realiza mais de 108 mil intervenções especializadas, 10 mil procedimentos de alta complexidade e tem um índice médio de 75% de taxa de ocupação. Aliando ensino, pesquisa e prestação de serviço, em 2007, o HUCFF ultrapassou a marca de consultas ambulatoriais realizadas em todo o ano de 2006, atingindo mais de 20.900 atendimentos em suas 49 especialidades médicas.

Entre os procedimentos de alta complexidade (transplantes de órgãos, terapias com células-tronco, cirurgia bariátrica etc), o número ultrapassou os 10 mil, resultado bem superior à meta de pouco mais de 7 mil. Recentemente, o Hospital foi o credenciamento pelo MS para realização da cirurgia em fendas lábio-palatais em adultos, segundo tipo de má-formação facial mais freqüente no Brasil.

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