O Hospital Maternidade Estadual Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo, tornou-se um ponto de referência para as mães bolivianas que dão à luz na cidade. Cerca de 15% das pacientes internadas na unidade vieram do país vizinho.

A maior parte está em situação irregular no Brasil. Localizada no Belenzinho, a maternidade fica perto dos bairros Pari e Brás, onde estão concentradas as oficinas de costura em que trabalham a maior parte das imigrantes.

Em 2005, a equipe do hospital iniciou um programa especial para acolher as mulheres bolivianas. No País, grande parte dessas mulheres trabalha costurando 14 horas por dia de segunda a sexta-feira para ganhar em média R$ 500. Recebe pelo material produzido 70 centavos por peça. No sábado, a jornada vai até o meio-dia. Geralmente, elas moram com toda família em cômodos que são ao mesmo tempo sala, cozinha e quarto.

“As mães, muitas vezes, chegam com medo da deportação”, explica a diretora técnica do hospital Elisabeth Yamada. “Nós as tranquilizamos para que saibam que ninguém aqui vai denunciá-las.” Graças ao trabalho da direção do hospital e da equipe de voluntárias, todas as mães estrangeiras saem com o documento.

Alexandre Gonçalves

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.