Hospitais públicos de São Paulo se adaptam ao parto indígena

Quando dão à luz, elas precisam enterrar a placenta em terra fértil. Depois do parto, o cardápio só pode ser composto por frango recém abatido, arroz, mingau e milho.

Agência Estado |

O que parecem hábitos exóticos são, na verdade, tradições indígenas, que, por não serem respeitadas, levam as índias a rejeitar as maternidades mesmo em uma gestação de risco. Para mudar esse quadro, dez hospitais públicos de São Paulo abriram as portas para a tradição guarani, principal etnia indígena do Estado.

“Foi uma demanda que as próprias índias trouxeram. Expressamos às tribos a nossa preocupação com o fato de 80% das grávidas terem filhos nas aldeias e elas fizeram essa reivindicação”, diz Augusta Sato, coordenadora do Povo Indígena da Secretaria de Estado da Saúde.

Inserir a cultura dos índios na rotina hospitalar onde nascem os “cara pálidas” é uma estratégia para reverter os índices de mortes das crianças. Segundo os dados do Departamento de Saúde Indígena (Desai), a taxa de mortalidade infantil entre os índios é de 48 em cada mil nascidos vivos, mais do que o dobro da marca geral brasileira, que ficou em 23 para cada mil nascidos. No Estado, a mesma disparidade de registros é identificada quando comparados os números de mortalidade de brancos e negros com os bebês nascidos nas 20 aldeias povoadas por 2.500 índios guaranis, sendo 60% mulheres.

Para definir quais unidades de saúde seriam capacitadas para receber as índias grávidas, o Projeto de Resgate da Medicina Tradicional da População Indígena selecionou as unidades mais próximas das aldeias. Dos dez hospitais participantes, dois são na Capital: o Hospital Geral de Pedreira e o Hospital Interlagos.

Outro aspecto que reforça a necessidade de atrair as índias aos hospitais é que, por sua cultura , as mulheres das aldeias engravidam com idade entre 13 e 16 anos, idade precoce que aumenta a incidência de partos de risco.

Ritual

Nos hospitais participantes do projeto, muda a dieta e a placenta é entregue à parturiente em um saco branco leitoso, possibilitando o ritual. “Os índios acreditam que o ritual de enterro da placenta interfere no ritmo de vida do recém-nascido”, explica Augusta Sato. Os partos nos hospitais só são realizados se for de interesse das gestantes e dos dirigentes das aldeias. As parteiras das aldeias também podem acompanhar o nascimento dos “curumins”. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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