Hospitais de SP começam a fazer check-up em jovens

O programa começa com uma conversa entre o médico e o jovem - sem a presença dos pais. Depois, um exame físico para ver peso, altura, pressão, batimentos cardíacos e postura.

Agência Estado |

Uma rodada com a nutricionista esmiuçará a dieta seguida. Por fim, é feito um hemograma, exame de sangue onde se saberá o nível de colesterol, glicemia, função hepática, renal, hormônios. Ecocardiograma, teste ergométrico e raio X completam o pedido.

A idéia é fazer um check-up nos adolescentes na tentativa de identificar doenças ou alterações genéticas já existentes, mas ainda não manifestadas. O serviço, que segue o modelo dos adultos com protocolos adaptados, está disponível no Hospital Sírio-Libanês, no Hospital do Coração (HCor) e no Oswaldo Cruz, todos em São Paulo.

"Estamos alinhados com o pensamento da medicina preventiva e da promoção da saúde", explica a cardiologia Danielli Haddad, coordenadora do Centro de Acompanhamento da Saúde e Check-up do Hospital Sírio-Libanês. "Dos 10 aos 19 anos o adolescente passa por mudanças rápidas, físicas e psicológicas e precisa de atendimento global e aconselhamento."

Dessa maneira, fazer uma avaliação geral num adolescente, onde serão investigados aspectos comportamentais (como uso de álcool e drogas e iniciação sexual, por exemplo), físicos (como obesidade e desvios de coluna) e até mesmo genéticos (como algumas doenças do coração) é um primeiro passo para iniciá-lo numa rotina de cuidados, com a adoção de um estilo de vida saudável, que deverá acompanhá-lo ao longo da vida. "É muito mais fácil ensinar alguém a se cuidar aos 15 anos do que aos 60", diz a cardiologista. "Sabemos que 80% das chances de ter um enfarte são evitáveis, depende de cada um", afirma ela.

Hábito

A preocupação está embasada em números da vida adulta: 80% dos fumantes começaram aos 13 anos, filhos de pais obesos têm duas vezes mais chances de também se tornarem adultos obesos. Além disso, 10% dos adolescentes estão com níveis de colesterol acima do indicado, 5% das crianças brasileiras têm glicemia alta - e tem crescido a ocorrência de diabete tipo 2 em crianças e adolescentes. Sem contar pesquisas recentes que mostram que cerca de 30% desses jovens têm sobrepeso ou obesidade.

"O importante é que o adolescente não fique sem acompanhamento nessa fase cheia de mudanças", complementa a hebiatra Débora Gejer, do Sírio e do Hospital Municipal Menino Jesus. Ela realça que ainda falta um cuidado com as doenças típicas da adolescência: acne, miopia e erros de refração, escoliose e outros desvios de coluna, além da hipertensão. Além disso, atualmente o rol foi acrescido de novos tópicos: obesidade, colesterol alto, diabete, stress e distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia - que costumam começar nessa faixa etária.

Simone Iwasso

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