Hora de decidir: waldorf, construtivista, tradicional...

Hora de decidir: waldorf, construtivista, tradicional..

Agência Estado |

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Por Maria Rehder

São Paulo, 06 (AE) - Pedagogia Waldorf, linha montessoriana, construtivismo, escola tradicional, pragmatismo... Esses são alguns termos com os quais os pais se deparam na hora de escolher a escola dos filhos. Mas, afinal, qual tendência pedagógica traz mais resultados de aprendizagem? A resposta dada por especialistas em educação é simples: basta visitar as escolas, ao lado do futuro aluno. O colégio no qual a família sentir-se mais à vontade e tiver maior identificação será a escolha certa.

Para facilitar o entendimento dos pais quanto aos termos do "pedagogiquês", a coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade Sumaré, Rosemary Soffner , explica que as chamadas tendências pedagógicas podem ser agrupadas como construtivistas e não construtivistas. "A grande diferença entre esses dois grupos é a forma como vêem o conhecimento", explica.

Nas escolas não construtivistas, o conhecimento está pronto e os seus desdobramentos são as chamadas escolas tradicionais e as behavioristas. "Nesses modelos o aluno não interfere na construção do conhecimento, tem o papel mais passivo." O construtivismo, segundo a educadora, não é uma pedagogia, mas uma teoria. "O conhecimento é construído considerando os saberes historicamente acumulados. Ninguém nega a física ou química. É nesse grupo que surgem as várias tendências pedagógicas como Waldorf e Montessori."

A professora aposentada do Instituto de Física da USP Gita Guinsburg, diretora do colégio construtivista I.L. Peretz, cita um exemplo de como a escola tem de estar alinhada à filosofia da família. "Se o aluno em fase de alfabetização escreve lousa com ‘z’, não vamos corrigir. Entendemos que ele avançou no fato de a pronúncia da palavra ser semelhante à letra ‘z’, está construindo conhecimento."

UMA ESCOLA SEM "DISCIPLINAS"
Estudar em um colégio que não tem aulas de matemática, física ou geografia. Na mesma sala, alunos de diferentes faixas etárias que trabalham juntos em um mesmo projeto. Essa é a realidade dos 85 alunos da Escola Lumiar, que fica no Bairro de Cerqueira César , região central de São Paulo e foi fundada em 2002 com proposta pedagógica própria, que hoje tem sido disseminada em escolas públicas da Serra da Mantiqueira.

A escola atende a 85 alunos da educação infantil ao 9º ano do fundamental e não tem currículo composto por matérias acadêmicas tradicionais. Não há séries, mas sim três blocos de ensino: o primeiro atende alunos de 6, 7 e 8 anos. O segundo, de 9, 10 e 11 anos, e o último, de 12, 13 e 14 anos. "As disciplinas tradicionais são trabalhadas em diferentes projetos que podem contar com alunos de diferentes faixas etárias. Essas são as nossas aulas", explica Eduardo Chaves, presidente do Instituto Lumiar, entidade que administra a escola.

Quanto à qualidade do ensino oferecido, Chaves afirma que é tão boa quanto as demais escolas tradicionais. "Também temos um programa de preparação para o ensino médio para os alunos de 9º ano para eles não estranharem a outra escola, já que não oferecemos essa etapa de ensino", explica Chaves.

Boxe:
TESTE PARA OS PAIS
1 Só o professor é capaz de corrigir os erros dos alunos.

2 O conhecimento está pronto, acabado e cabe à escola transmiti-lo.

3 O mais importante é uma educação que estimule o pensar e não apenas o armazenamento de informações.

4 A nota é a única forma de saber se o aluno aprendeu ou não.

5 O conhecimento é reconstruído a cada momento.

6 O papel do aluno é aprender e o do professor é ensinar.

7 O objetivo primordial é o desenvolvimento do ser humano e não apenas o ajuste social.

8 O erro reflete uma forma de pensar que precisa ser conhecida.

Construtivista. Se você assinalou V para as afirmações 3, 5, 7 e 8, seria interessante que seu filho ou filha estudasse em uma escola que tenha como base a Teoria Construtivista. Nessas escolas, o desenvolvimento é mais importante do que o mero acúmulo de informações; o ritmo de cada criança é respeitado; os erros são tratados como um meio para que os professores conheçam a forma de pensar do aluno e propor estratégias para que ele possa aprender; o conhecimento é construído a partir das relações entre aluno-aluno, aluno-professor, relações sociais mais amplas e o acervo cultural historicamente acumulado, entre outras premissas.

Não construtivista. Se você assinalou V para as afirmações 1, 2, 4 e 6, seria interessante que seu filho ou filha estudasse em uma escola não construtivista. As escolas não construtivistas dão importância a conteúdos pré-estabelecidos; o aluno deve se ajustar aos programas estabelecidos; o principal papel do professor é transmitir o conhecimento já pronto; erros denunciam que o aluno não aprendeu, não uma forma de pensar, entre outras.

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