Estudo é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência

Os homicídios no Brasil representam 45% das causas de morte de jovens entre 12 e 18 anos e outros 33 mil perderão a vida antes de 2013 se não forem adotadas medidas de prevenção, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência.

No estudo foram analisados e comparados os dados oficiais de homicídios registrados entre os anos 2005 e 2007, nos quais a taxa variou entre 2,51 e 2,67 jovens por 1 cada mil. O professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Ignacio Calo, que participou da pesquisa, disse que entre 2005 e 2007 houve aumento de 6% na taxa de homicídios que registra na faixa de idade analisada. Calo explicou em entrevista coletiva que os dados "servem para dupla interpretação", pois assim como permitem estabelecer bases comparativas, ajudam a projetar o que pode ocorrer no futuro imediato "com as mesmas condições" sociais e de prevenção.

Segundo Casimira Benge, do escritório do Unicef no Brasil, a pesquisa demonstra que os homicídios entre adolescentes no País "têm cor, raça, sexo e nível social". De acordo com os dados, seis em cada sete homicídios são cometidos com armas de fogo e a possibilidade de ser vítima é 12 vezes maior para adolescentes do sexo masculino e quatro vezes maior para negros e indígenas. Benge lembrou que na América Latina e no Caribe ocorrem 42% do total de homicídios "em nível mundial" e apontou a necessidade de implantar "políticas publicas mais efetivas para a sociedade".

A representante do Unicef pediu "esforço transnacional" para a cidade brasileira de Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai, que em 2007 alcançou o maior número de homicídios entre jovens de 12 e 18 anos, com índice de 11,8 cada mil.

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