Violência no Brasil está distribuída de forma desigual entre regiões do País, áreas das cidades, faixa etária e gênero

A violência é reponsável pela morte de mais de 45 mil brasileiros a cada ano. Entre as suas características mais relevantes está sua distribuição desigual entre regiões do país, áreas das cidades, faixa etária e gênero.

O mais recente "Mapa da Violência", traz novo um retrato do Brasil nesse sentido, descrevendo a redução das taxas de homicídio em algumas das grandes cidades, ao mesmo tempo em que evidencia o aumento de mortes no interior do país.

Grandes capitais, sobretudo aquelas que passaram por processos intensos e desordenados de urbanização, que durante as duas últimas décadas viram os homicídios crescer, estão agora se beneficiando da redução no número de mortes. Já algumas regiões de fronteira aparecem com destaque, o que pode ser explicado pelos conflitos ligados a atividades ilícitas como contrabando de armas e drogas.

O mapa mostra, ainda, como no interior do País a violência tem aumentando significativamente, sugerindo um olhar mais atento aos conflitos fundiários, às disputas por recursos naturais e outros tipos de atividades ilegais.

Mas seja nos centros urbanos, no interior ou nas regiões de fronteira, a violência letal é resultado de um combinado de fatores de ordem estrutural, comunitária e individual. Assim, ao mesmo tempo em que cada localidade as mortes envolvem dinâmicas criminais específicas, elas compartilham elementos comuns: grande circulação de armas de fogo, grupos criminosos organizados - ainda que em níveis diferentes de estruturação e de ramos de atividade – além do tráfico de drogas e de outras mercadorias ilegais. Tudo isso é confrontado na maioria das vezes por políticas inconsistentes de prevenção e repressão. O resultado são números de mortes dignos de uma guerra.

Não por acaso, as experiências brasileiras bem sucedidas são as que adotaram esse diagnóstico complexo.

Diadema, por exemplo, foi um município pioneiro no desenvolvimento de um plano municipal de segurança que incluía, entre outras coisas, investimento em mediação de conflitos e uma lei de fiscalização da venda de bebida alcoólica. Em São Paulo, a redução das armas de fogo em circulação, combinada com uma melhor gestão das políticas de segurança foi determinante para reduzir sensivelmente a taxa de homicídios no estado. Pernambuco, que ainda não aparece bem colocado no mapa porque os dados vão apenas até 2007, tem investido numa política ampla de segurança pública que inclui desde intervenções comunitárias até maior qualidade da informação criminal e investimento no treinamento das polícias.

Sem abrir mão do enfrentamento do crime, todas são experiências que dedicaram um parte relevante de seus esforços à políticas de prevenção da violência e da criminalidade

O Centro Internacional para a Prevenção do Crime acaba de lançar seu relatório internacional em que analisa respostas à violência ao redor do mundo. O documento observa que nos últimos dois anos saltou de 9 para 24 o número de países que adotaram uma política nacional de prevenção ao crime e à violência.

Nesse cenário, uma das conclusões importantes do relatório para refletir sobre o caso brasileiro, é a de que as políticas de prevenção não se destinam apenas a reduzir os indicadores de criminalidade. Seu principal objetivo seria melhorar a qualidade da vida das comunidades.

O país só vai concretizar seu ciclo de desenvolvimento social e econômico e garantir qualidade de vida aos brasileiros quando superar definitivamente a violência.

Paula Miraglia - antropóloga e diretora geral do International Centre for the Prevention of Crime, Paula escreve sobre segurança pública, justiça e cidadania.

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