Homens estreiam como parteiros após curso de Obstetrícia da USP

Aos 24 anos, Michel Silva já fez cerca de 50 partos, alguns durante o curso de Obstetrícia, que concluiu no ano passado, e outros no estágio voluntário que realiza na Santa Casa de Misericórdia de Mauá, na Grande São Paulo. Ele é um dos quatro rapazes que optou pela carreira de obstetriz - palavra que vale para homens e mulheres e traduz a versão moderna das antigas parteiras.

Agência Estado |

Silva já perdeu a conta de quantos bebês assistiu ou ajudou a nascer. Mas no dia 27 de janeiro presenciou um nascimento em especial: Heitor, seu primeiro filho.

Dos oito rapazes que faziam parte da primeira turma de Obstetrícia - composta por 60 alunos - somente os quatro chegaram até o fim. Marcel Queiróz, de 21 anos, Fabrício Rodrigues, de 22, Wernestty Tassi, de 27, se dizem apaixonados pela área. Nenhum deles conseguiu emprego formal ainda, mas garantem que o fato de serem homens não é o motivo. Para a idealizadora do curso da USP Leste Dulce Gualda, obstetriz formada há 40 anos - época em que a presença masculina nessa sala de aula não era nem cogitada - “quando os primeiros formandos, homens e mulheres, conseguirem entrar no mercado e mostrar sua capacidade, aí a coisa começa a andar.”

Os antigos cursos de Obstetrícia que existiam no País foram extintos na década de 60 e acabaram se transformando em uma especialização da área de Enfermagem. Na Universidade de São Paulo (USP), a última turma da leva antiga se formou em 1971. Mas o curso renasceu em 2004 alinhado à política do Ministério da Saúde de estimular o parto normal e melhorar a assistência à mulher durante o pré-natal, o parto e o pós-parto, de forma a reduzir a mortalidade materna e neonatal.

“O curso tem hoje muito mais conteúdo de humanas. Antes era uma formação mais técnica, voltada para os problemas de saúde. Hoje eles estudam psicologia, antropologia, e têm o objetivo de atender a mulher em suas necessidades físicas, emocionais e socioculturais”, conta Dulce. Além de prestar assistência à gestante, os parteiros profissionais podem atuar no pré-natal e cuidar da saúde dos recém-nascido e de seus familiares no pós-parto, orientando, por exemplo, a amamentação.

AE

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