Os homens brasileiros estão mais vaidosos. Em 2007, eles gastaram US$ 1,79 bilhão (cerca de R$ 4,5 bilhões) em cosméticos como xampus, cremes e perfumes.

O valor só perde para o dinheiro que os americanos deixaram nos caixas das perfumarias, algo em torno de US$ 5 bilhões (R$ 12,5 bilhões). Os números, do Instituto Euromonitor, órgão internacional de pesquisa de marketing, revelam, ainda, que o valor do gasto dos brasileiros com itens de higiene e beleza nacionais e importados cresceu 19% em comparação com 2006. O aumento é superior aos 4% registrados nos Estados Unidos, o maior consumidor mundial no segmento.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) mostram que a produção destes itens no País também aumentou. Em 2007, superou as 30 milhões de toneladas ante 20,7 milhões registradas em 2002. O faturamento da indústria ultrapassou R$ 1,9 bilhão, valor 93% maior que o registrado cinco anos antes.

Alberto Kurebayashi, vice-presidente técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), instituição que representa as empresas de matéria-prima e de produto acabado do setor, diz que o aumento é fruto de uma preocupação crescente dos homens brasileiros com a própria aparência. Na avaliação do diretor da ABC, as novas gerações querem muito mais que xampus e loção pós-barba, itens tradicionais da higiene pessoal masculina.

Segundo ele, os consumidores de hoje buscam produtos mais completos, como xampus que reúnam condicionador e propriedades anticaspa ou alternativas que sirvam para todo o corpo. A mudança, analisa Kurebayashi, é fruto de uma combinação de fatores. Ele cita a melhoria da condição econômica, a publicidade e a maior pressão das mulheres e namoradas como principais razões. De acordo com o representante da ABC, as preferências dos homens são por produtos multifuncionais, que reúnam diversas propriedades. "O público masculino não quer perder tempo usando vários produtos. Tem preferência por um creme que seja refrescante e sirva para corrigir rugas ao mesmo tempo", exemplifica.

Tratamentos

Outra diferença, segundo Kurebayashi, está na embalagem. Segundo ele, homens não querem nada com potes, identificados com cosméticos femininos. Eles preferem bisnagas e, de preferência, que contenham a expressão "for men" (para homens). Segundo ele, também aumentou a ida de homens a clínicas de estética, sobretudo em busca de tratamentos de pele, depilação peitoral e correção de gordura localizada. Ele estima que, atualmente, 40% dos clientes dos estabelecimentos de estética sejam do sexo masculino. "Vão mais à noite ou no final da tarde, quando o movimento é menor. Muitos pedem sigilo", afirma. Kurebayashi acredita que os homens também perceberam que boa aparência é importante para o sucesso profissional.

Marcos Burghi

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.