O Tribunal do Júri de São José do Rio Preto (SP) condenou ontem o vendedor Elder Daude dos Santos Ferreira, de 29 anos, a cumprir 15 anos e seis meses de prisão pelo assassinato de Willian Fracasso, morto com seis tiros em 10 de dezembro de 2000, na frente de um bar, por dois motociclistas. Ferreira foi acusado de tramar e dirigir a moto.

Além do homicídio, ele foi condenado a cumprir mais três meses de prisão por, durante o crime, causar ferimentos em uma pessoa que também estava no bar, no bairro Solo Sagrado.

Fracasso, segundo o Ministério Público, foi morto por denunciar a existência de um túnel aberto numa casa próxima ao extinto Cadeião de São José do Rio Preto. "O túnel, que ligaria a casa ao Cadeião, seria usado por integrantes da facção para resgatar colegas presos no Cadeião", afirmou o promotor José Américo Ceron, que atuou na acusação. Para praticar o crime, segundo Ceron, Ferreira e mais três comparsas teriam recebido meio quilo de crack.

Depois de mais de 10 horas de sessão, o conselho de jurados, formado por cinco mulheres e dois homens, votou pela culpa do réu. Na sentença, o juiz Caio César Melluso, da 5ª Vara Criminal de São José do Rio Preto, considerou que o homicídio foi qualificado, por não dar chances de defesa à vítima. A decisão prevê cumprimento da pena em regime fechado sem possibilidade de recurso em liberdade, por isso, na manhã desta quarta-feira, Ferreira, que cumpria pena no regime semiaberto por roubos e tráfico, foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade.

Os três acusados não poderão ser condenados pelo crime porque estão mortos, dois deles abatidos em confrontos com a polícia. O grupo, de acordo com o promotor, fazia parte de um grande esquema de tráfico de drogas, descoberto em 2006. O esquema era operado a partir das penitenciárias de Valparaíso, Mirandópolis e Lavínia, de onde detentos comandavam a compra de cocaína, distribuição para traficantes e lavagem de dinheiro.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.