Hollywood vive seu momento mais tenso desde a greve de roteiristas

Fernando Mexía Los Angeles (EUA.), 11 jul (EFE).

EFE |

- A incerteza voltou a rondar hoje Hollywood depois que a falta de acordo entre atores e produtoras para um novo contrato trabalhista levou o setor ao seu momento mais tenso desde a última greve de roteiristas.

A mais recente reunião entre o sindicato majoritário, Screen Actors Guild (SAG), e a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP) terminou por constatar que as conversas se encontram atualmente em um beco sem saída.

Nem a SAG, nem a AMPTP se mostraram dispostas a mudar seu discurso para aproximar suas diferentes posições a respeito do próximo contrato de trabalho entre atores e estúdios, depois que o convênio anterior expirou em 30 de junho.

A SAG rejeitou a última oferta de acordo proposta pela AMPTP, que pretendia uma série de modificações que diminuiriam os direitos dos atores para obter um maior lucro pela comercialização de DVD e outros formatos surgidos com as novas tecnologias.

Os representantes das produtoras, que só queriam ouvir a aceitação de suas condições por parte do sindicato, acusaram a organização de "colocar em perigo a paz trabalhista" ao exigir mais concessões do que as pactuadas pela indústria com diretores, roteiristas e outras organizações sindicais de atores menores.

A AMPTP fez um pedido à SAG para que ceda em suas pretensões e submeta o novo acordo ao julgamento de seus 120 mil filiados em uma votação, cujo resultado demoraria um mínimo de três semanas, para acabar com este processo o mais rápido possível.

"Tudo que não precisamos é um longo e quente verão (hemisfério norte) de conflito trabalhista que aumente a pressão sobre a má situação econômica e prive a audiência do entretenimento que deseja nestes momentos difíceis", concluiu o documento da AMPTP.

A SAG já antecipou que defenderá a continuidade das conversas até que se apresente um convênio que reconheça seus pedidos.

A queda-de-braço entre trabalhadores e empresários do cinema se transformou em uma luta de desgaste psicológico, na qual as duas partes especulam com os prazos para debilitar seu oponente.

A AMPTP optou por uma estratégia de ultimato, primeiro com uma oferta de acordo que qualificou de "última, melhor e definitiva" e depois ao impor um prazo para a ratificação da mesma.

Se os atores não aprovarem o contrato dos estúdios para 15 de agosto, a AMPTP não aplicará o aumento de salários de forma retroativa com data de 1º de julho, o que implicaria que os trabalhadores deixariam de ganhar mais de US$ 10 milhões.

O sindicato, por sua vez, atrasou várias vezes as conversas de 15 de abril, por estarem confiantes de que o tempo jogava a seu favor, a fim de impacientar os estúdios e obrigá-los a ceder, se não quisessem se arriscar a arruinar seu planejamento anual de filmes por causa de uma greve.

A possibilidade de que ocorra uma greve de atores em Hollywood é, no entanto, distante, já que na Meca do cinema não há muita vontade de realizar motim.

O fato de que os artistas de rádio e televisão, grande parte deles membros da SAG, tivessem aprovado recentemente um convênio similar rejeitado com veemência por este sindicato, geraria dúvidas sobre o respaldo que teria uma convocação de greve.

O comitê de direção da SAG deve se reunir hoje para analisar o estado das negociações, apesar de não existir uma data para um próximo encontro com as produtoras.

As desavenças entre a patronal e o sindicato majoritário de atores geraram um clima de tensão em Hollywood - onde apesar de tudo continua-se trabalhando com um bom ritmo - que não acontecia desde a greve de roteiristas vivida pela indústria no final de 2007 e começo de 2008. EFE fmx/bm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG