LOS ANGELES - Em Hollywood, às vezes US$ 390 milhões de bilheteria não são suficientes, haja vista que os estúdios Warner Bros decidiu engavetar os roteiros para uma continuação de Superman, lançado em 2006, e iniciar do zero uma nova saga do herói.

"'Superman' não funcionou como filme da maneira como queríamos", disse Jeff Robinov, presidente da Warner Bros, ao jornal "Wall Street Journal". "Se 'Superman' tivesse funcionado em 2006, teríamos outro filme para esta Natal ou para o de 2009".

Apesar de a informação não ter sido confirmada nem desmentida pelo executivo, parece claro que Bryan Singer, diretor do longa, não estará à frente do próximo projeto sobre o homem de aço, embora o próprio tenha dito em março que já trabalhava em "Man of Steel", a continuação de "Superman". "Estamos na fase de desenvolvimento da segunda parte e tenho a intenção de dirigi-la", comentou à revista "Empire" na época.

Para Robinov, o tratamento dado ao filme por Singer, que esteve à frente dos bem-sucedidos "X-Men" (2000) e "X2" (2003), não foi o adequado. "Ele não posicionou o personagem da forma como deveria, mas agora o plano é voltar a lançá-lo", disse o executivo.

Na prática, isso quer dizer que o personagem, nascido nos quadrinhos, percorrerá o mesmo caminho de franquias como a do Batman ou a do Hulk, cujas novas obras começaram a ser construídas sem tomar como ponto de partida os filmes anteriormente levados à grande tela.

Hulk, por exemplo, renasceu em junho passado com muita mais ação e com uma equipe e um enfoque totalmente diferentes do longa dirigido pelo taiuanês Ang Lee em 2003, produção que foi recebida com certo desdém pelos fãs do personagem de Stan Lee e Jack Kirby.

Mas o espelho para o qual Robinov olha quando imagina relançar as aventuras do Super-Homem é, sem dúvida, "O Cavaleiro das Trevas", o segundo filme dirigido por Christopher Nolan sobre o Homem-Morcego, cuja profundidade psicológica encantou o público.

O que os fãs se perguntam agora é se realmente é de interesse deles ver um Superman atormentado, embora exista material para isso, como bem lembrou David Mamet em um ensaio escrito há 20 anos: o super-herói é órfão, não conheceu seus verdadeiros pais nem o lugar onde nasceu, ama mulheres com as quais não pode se relacionar e qualquer um que esteja à sua volta vira alvo de seus inimigos.

"Vamos tentar tornar os personagens mais obscuros", declarou Robinov. "O objetivo a longo prazo do estúdio é tirar vantagem do mercado global através de filmes de grande orçamento que requerem um maior compromisso".

Tudo faz parte de uma nova estratégia que está se impondo na Meca do cinema. A recessão econômica obriga os estúdios a lançarem menos filmes, mas isso não vai deter a estréia de cada vez mais produções sobre estes personagens.

"Os super-heróis são mais globais que nunca, as histórias em quadrinhos existem em 30 línguas e são publicadas em mais de 60 países", disse Paul Levitz, presidente da DC Comics, que considera esses personagens "exportáveis para o mundo todo".

Os estúdios Marvel, que concorrem com a Warner Bros, também não ficarão de braços cruzados, e, depois do sucesso de "Homem de Ferro", antes de 2011 lançarão uma seqüência desta produção, além de "Os Vingadores", "Capitão América" e "Thor".

Por sua vez, Robinov confirmou que entre os planos da Warner Bros estão um novo longa sobre Batman e o lançamento de aventuras com Flash Gordon, Lanterna Verde e Mulher Maravilha, embora o anúncio oficial só esteveja prevista para setembro.

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