Hollywood respira aliviada ao ver que muitos atores rejeitam greve

Fernando Mexía Los Angeles (EUA.), 9 jul (EFE) - A indústria de Hollywood respirou hoje aliviada após os membros do sindicato de atores de rádio e televisão terem aprovado um novo convênio coletivo, afastando, desta forma, a possibilidade de uma greve na principal referência do cinema mundial.

EFE |

O acordo foi obtido com os votos de 62,4% dos afiliados da American Federation of Television & Radio Artists (AFTRA), segundo maior sindicato de atores dos Estados Unidos em número de membros.

A disputa entre intérpretes e estúdios para definir as condições trabalhistas dos próximos três anos ficou, assim, a um passo de ser resolvida, o que enfraqueceu bastante a posição do sindicato majoritário, Screen Actors Guild (SAG), em sua luta solitária para aumentar os benefícios contratuais.

O SAG e a AFTRA, em outro tempo aliados frente às produtoras, protagonizaram, durante as últimas semanas, um confronto no qual colocaram em jogo suas capacidades para defender os interesses trabalhistas dos atores, uma guerra fratricida que, depois da votação de terça-feira, gerou dúvidas sobre a liderança do primeiro.

Este sindicato, que conta com 120 mil filiados - sendo 44 mil também sócios da AFTRA -, tentou desacreditar a oferta de convênio apresentada aos atores de rádio e televisão para impedir que fosse ratificado e levar ao máximo as negociações com a indústria.

A vitória das posições da AFTRA confirmou que os atores estão pouco inclinados à greve e levou tranqüilidade às colinas de Hollywood, onde ninguém queria uma nova paralisação brusca do setor, que ainda se lembra vivamente do conflito dos roteiristas, no final de 2007.

Os filiados do SAG são, agora, os únicos atores que continuam trabalhando sob as condições do convênio que expirou em 30 de junho, dia em que a representante dos estúdios, a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), colocou sobre a mesa sua última oferta à central sindical.

Desde então, o comitê de negociação do SAG procurou ganhar tempo e adiou sua responder à AMPTP até quinta-feira, para planejar uma estratégia em função da ratificação do convênio da AFTRA.

A proposta da AMPTP ao SAG foi muito similar à pactuada com a AFTRA e outras três organizações minoritárias, tão criticada pelo sindicato majoritário, e que suporia US$ 250 milhões a mais para os atores até 2011.

O SAG rejeitou até agora estes contratos, entre outros motivos, por não melhorar o montante recebido pelos atores pela comercialização de DVD e esquecer outros formatos audiovisuais surgidos com as novas tecnologias.

O sindicato se encontra agora em uma situação difícil, já que aceitar um convênio parecido com o que criticou tão duramente seria inexplicável para milhares dos seus filiados e é improvável que a AMPTP esteja disposta a fazer mais concessões, principalmente agora que o SAG não parece contar com o respaldo unânime dos atores.

Em comunicado, o presidente do SAG, Alan Rosenberg, deixou entrever a intenção da organização de continuar negociando com a AMPTP para "conseguir um contrato justo".

Hoje, o sindicato lançou uma mensagem à indústria nessa mesma linha, através de anúncios que diziam "Queremos um Acordo. Vamos Continuar Negociando".

O comitê de direção do SAG destacou que, apesar da aprovação do convênio pela AFTRA, quase 40% dos votos foram contrários à proposta, um número significativo, já que, normalmente, estes contratos são referendados com apoios superiores a 90%.

A oposição à oferta da AMPTP aparece como o trunfo que pode jogar o SAG perante a indústria para forçar à retomada das conversas.

Uma posição que poderia terminar com a convocação de uma greve, opção cada vez mais distante, porque o SAG teria que conseguir o sinal verde de 75% dos filiados. EFE fmx/db

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