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Hollywood faz adaptação do mangá Astro Boy com estética ocidental

Fernando Mexía. Los Angeles (EUA), 21 jun (EFE).- Símbolo da cultura nipônica, Astro Boy, o menino robô que foi visto pela primeira vez em um mangá japonês em 1951, estreará nos cinemas pelas mãos de vários profissionais latinos com experiência em criar animação para Hollywood.

EFE |

O novo "Astro Boy" manterá a essência do desenho de Osamu Tezuka, considerado o "deus do mangá" e "pai do anime" (animação japonesa), mas será mais adolescente e menos criança -em vez dos 8 anos, terá 12-, e alternará sua seminudez com cenas em que usará roupa normal para reforçar seu lado humano.

O projeto, que será lançado em outubro nos Estados Unidos e no início de 2010 na América Latina, foi adaptado à atual tendência de Hollywood de buscar histórias nas origens de personagens conhecidos, como aconteceu com Batman, X-Men ou a saga Star Wars.

"É um retorno ao mangá original", assegurou à imprensa o diretor do filme, o britânico David Bowers ("Por Água Abaixo", 2006), que descartou ter tomado como referência as séries de televisão sobre o personagem nas décadas de 60, 80 e em 2003.

A recriação desse símbolo japonês foi um desafio para a equipe do filme, que teve o argentino Luis Grane à frente da criação de personagens, o espanhol José Valencia como diretor de fotografia e a britânica de origem chilena Pilar Flynn nas tarefas de produção.

A ideia do estúdio Imagi era recuperar este símbolo japonês robotizado e transformá-lo em um fenômeno mundial que sirva de senha de identidade da companhia, que tem intenção de competir com Pixar e DreamWorks Animation.

"Astro Boy" voltará à vida com vocação de saga, por isso o roteiro desta presumível primeira parte é uma apresentação do personagem.

A trama conta desde sua fabricação, devido à obsessão de um pai que deseja preencher o vazio deixado por seu filho morto, ao drama de uma criança diferente que procura seu lugar no mundo e que acaba se transformando em um herói.

"Queria fazer algo global, nossos produtores no Japão queriam o mesmo, que não só fosse destinado ao público japonês. Minha meta era fazer algo que funcionasse bem tanto no Ocidente quanto no Oriente", afirmou Bowers.

A equipe do filme, no entanto, confessou sua inquietação com a acolhida que a produção terá no Japão, onde "Astro Boy" é "o Mickey Mouse japonês", nas palavras da produtora Maryann Garger.

Com o objetivo de ser fiéis ao ícone de Tezuka, o estudo contou com a participação no projeto do filho do desenhista e também cineasta, Makoto Tezuka, que trabalhou como consultor externo.

"Ele estava mais preocupado com como era o personagem de 'Astro Boy', que não fizéssemos muito além da história em si. Queria que o desenho tivesse relação com o original e que o argumento fosse fiel à personalidade do protagonista", comentou Grane.

O fato de o descendente de Tezuka ter aprovado a produção tranquilizou em parte Bowers e Grane ("O Príncipe do Egito", 1998), que se afastaram do anime e preferiram adotar uma narrativa mais ocidental.

"É uma versão", disse Grane. "Houve uma inspiração no mangá, embora esteticamente não se veja como mangá, está mais na tradição da Disney que de anime, embora com respeito ao original. Há alguns robôs que têm raiz no mangá", afirmou o argentino, que usou algumas esculturas pré-colombinas como modelo para vários personagens.

"Há sequências nas quais os movimentos de câmera podem lembrar a estética de 'Gladiador', de Ridley Scott", esclareceu Valencia ("O Pequeno Stuart Little", 1999), em referência ao estilo visual, pensado para competir com os grandes estúdios americanos.

"Astro Boy" será distribuído em 2D, apesar da crescente popularidade do 3D, mas a próxima produção da Imagi, "Gatchman" (baseada em uma série de televisão japonesa), estreará em 2011 neste formato. EFE fmx/db

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