Holandeses fazem painel de 2.000 m² em favela do Rio

Não se trata de mais uma ONG fazendo trabalho social em favelas do Rio. Em 2006, os artistas plásticos holandeses Jeroen Koolhass, de 31 anos, e Dre Urhahn, de 34, trocaram o inverno rigoroso de Amsterdã pelo calor de 40°C da favela Vila Cruzeiro, zona norte do Rio, ao lado do Complexo do Alemão, decididos a realizar uma experiência inusitada.

Agência Estado |

Viver diariamente a rotina de uma das comunidades mais violentas do Rio e lançar o Favela Painting, um projeto que usa a arte para melhorar a auto-estima dos moradores.

No ano passado, Haas & Hahn, nome artístico dos holandeses, inauguraram o mural Menino Soltando Pipa, que ocupa a fachada de três casas na frente do campo de futebol. Agora, a ousadia é maior. No sábado, uma grande festa vai marcar a inauguração do Rio Cruzeiro, pintura de 2 mil metros quadrados feita no paredão de concreto de uma obra de contenção de encosta que atravessa a favela. Projetada pelo designer e tatuador holandês Rob Admiraal, a pintura traz enormes peixes vermelhos nadando contra a corrente num rio de águas azuis.

"Vila Cruzeiro é um lugar tão excluído que acreditamos que com este trabalho podemos chamar atenção, mostrando um outro lado da comunidade", diz Jeroen, que os moradores chamam de Jota.

O Rio Cruzeiro, feito com a ajuda de adolescentes da comunidade, agradou não só aos moradores. Adriano, jogador da Inter de Milão, visitou em junho a comunidade onde nasceu e foi criado. Diante da pintura, ficou encantado. Os holandeses, é claro, registraram a visita em vídeo e foto. "Fiquei feliz de ver o que vocês estão fazendo por nós. De repente, uma criança vê e decide ser pintor", disse Adriano, na gravação que está no site favelapainting.com.

Em dezembro, eles voltam para a Europa. Ficarão seis meses na Holanda levantando fundos para o próximo projeto. Provavelmente, depois seguirão para a África. "Podemos ir para qualquer lugar onde exista jovens excluídos que precisem de atenção", diz Jeoren. "O Favela Painting era o nosso sonho. Esse foi o melhor trabalho que eu fiz na minha vida", acredita Dre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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