HIV resiste a remédios em 7% dos pacientes, diz estudo

Um estudo feito com 400 pessoas de 13 cidades brasileiras mostrou que a resistência ao vírus da aids em pacientes que ainda não receberam tratamento com antirretrovirais (resistência primária) é de 7%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pede que o governo ofereça o exame de genotipagem - teste que faz o sequenciamento genético do vírus e permite saber de antemão a quais drogas o paciente é resistente - caso esse porcentual fique acima de 5%.

Agência Estado |

O Ministério da Saúde admite que poderá rever seus critérios no futuro se os resultados do estudo forem confirmados por pesquisas clínicas.

São Paulo tem 60% dos casos de HIV resistente. Os pesquisadores estão surpresos com o fato de a cidade concentrar dois terços dos casos desse tipo de resistência. A explicação mais provável é a de que São Paulo concentra o maior número de pacientes diagnosticados e foi a primeira cidade a oferecer tratamento gratuito, no fim dos anos 80.

Atualmente, o ministério só oferece o exame de genotipagem quando o coquetel com antirretrovirais não está fazendo o efeito desejado ou em crianças que foram infectadas pelas mães ainda na gravidez, por meio da transmissão vertical. Os dois principais obstáculos para a implementação do exame em larga escala é que não há fabricantes nacionais e o custo teria um alto impacto na saúde pública. O Ministério da Saúde paga US$ 122,89 por teste e ainda não existem grupos de pesquisa trabalhando no desenvolvimento de um exame nacional.

Para um dos coordenadores do estudo, Marcelo Soares, do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o estudo mostra que há necessidade de o ministério repensar sua política. Segundo a coordenação do Programa Nacional DST/Aids, no entanto, é preciso que sejam feitos novos estudos para determinar se há realmente uma melhora no tratamento dos pacientes que souberem antes que possuem o vírus resistente.

A pesquisa, que foi realizada por 20 centros de pesquisa em HIV/aids, foi delineada pelo professor Eduardo Sprinz, do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, e publicada na edição de setembro da revista Aids Research & Human Retroviruses. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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