Histórias de amor e dependência das mulheres com suas bolsas

Histórias de amor e dependência das mulheres com suas bolsas Por Vera Fiori São Paulo, 14 (AE) - Seja sincera: que nota você daria para a organização da sua bolsa? Se for adepta do modelo tipo saco, com certeza joga tudo dentro e na hora de procurar chaves, carteira e celular é um deus-nos-acuda e motivo de briga com marido ou namorado. A boa nova é que a bagunça pode estar com os dias contados.

Agência Estado |

Uma equipe de seis pesquisadoras da Universidade Simon Fraser, no Canadá, teve a brilhante ideia de desenvolver uma bolsa equipada com um sistema de radiofrequência, que checa todos os itens antes de você sair de casa. Caso falte alguma coisa, a engenhoca apita.

Mas enquanto a "bolsa inteligente" não chega às lojas, o jeito é usar truques que facilitem a vida, como faz a empresária Tatiana Oliva, da Crossnetworking. Fã de bolsas enormes, ela tem um método infalível para não perder as chaves no fundo. "Prendo com aquelas fitas compridas de crachás, para ficarem sempre à mão." Mesmo assim, as bolsas foram protagonistas de alguns contratempos. "Já perdi um voo porque não encontrei a identidade. Liguei para a minha casa e a acharam grudada numa capa de chuva, dentro de outra bolsa. Outra vez pensei que tinha perdido o celular e, dois dias depois, minha mãe teve a ideia de virar a bolsa e lá estava ele!"

Se algum xereta bisbilhotar o acessório, pode encontrar: documentos, um par de sapatos das filhas, crachás, óculos escuros e de grau, escova de cabelo, lixa de unha, canetinha que tira cutícula, máquina fotográfica, equipamento do notebook, presilhas de cabelo das meninas, uma imagem de Santa Terezinha, óleo e sal bentos, uma garrafinha de chá, carteirinhas do clube, celular, rádio, um estojo com sete canetas, cadernetinha para anotações, porta-cartões, Tylenol, fio dental, um par de brincos grandes. "As nécessaires de maquiagem são tão pesadas que deixo uma no carro, outra em casa e uma extra no escritório", conta.

Mas quando a situação social exige o uso de elegantes - porém, diminutas - carteiras, Tatiana sempre acaba se esquecendo de algo, como na vez em que foi a um casamento e não tinha dinheiro para pagar o serviço de manobrista. "Fico perdida sem as minhas coisas e, para mim, bolsa tem de ser acolhedora para caber tudo dentro", diz Tatiana, que costuma ter dois ou três acessórios no carro para mudar o seu layout rapidinho, conforme a ocasião.

NÉCESSAIRE DUBAI
A VJ Penélope Nova assume a "peruíce" chique quando o assunto é bolsa. "A da minha vida é uma Birkin, da Hermès, que pode custar até US$ 15 mil, sendo que a lista de espera pelo mimo é de dois anos." Enquanto não tem uma conta corrente como a de Victoria Beckham - felizarda dona de uma coleção de cem modelos da Hermès -, Penélope desfila por aí com bolsas da Louis Vuitton, Chloé, Burberry, Marc Jacobs. Mas a grande estrela é a big nécessaire que ela batizou de Dubai. "É tão completa que posso embarcar a qualquer hora para qualquer parte do mundo, até mesmo Dubai", brinca.

E alguém duvida? O acessório tem de tudo um pouco: calcinha descartável para qualquer eventualidade, rímel, curvex, gel para as mãos, batom, filtro solar, tira-manchas, absorventes, lenços umedecidos, água termal, potinhos com pequenos lanches, celular, dinheiro e documentos. "Apesar do volume e do peso, é tudo muito bem arrumadinho que até parece um jogo de encaixar da Lego." Até mesmo sua cadela Mischa tem uma bolsinha supercharmosa para acompanhar a dona nos passeios.

A publicitária Renata Carvalho tem um acervo de 20 modelos, muitas de grifes, como Chanel e Gucci. O xodó é uma Marc Jacobs de náilon, enorme, comprada em Nova York depois de duas horas de indecisão para o desespero do marido. Certo de que tinha se livrado das compras, da loja e da bolsa, ele mal sabia o que estava por vir. "Quando cheguei ao hotel, fui retirar a etiqueta da bolsa e fiz um rombo no náilon. Quase surtei. Por sorte, a loja trocou."

Dentro, Renata coloca duas nécessaires (para maquiagem e remédios), cartões de visita, agulha e linha, máquina fotográfica, duas cadernetas, uma carteira gigante para documentos, dinheiro, cartões de banco e uma revista. Quando a ocasião pede uma carteira chique, ela "terceiriza" a guarda de seus pertences. "Vou espalhando as coisas nas bolsas de amigas e mulheres da família." Nem o marido escapa e, para ele, sobra guardar o celular dela no bolso do paletó.

GRANDES, SEMPRE
Será que alguma mulher consegue sair de casa sem bolsa? "Bom, eu levo minha vida na bolsa", responde a stylist e apresentadora Chiara Gadaletta. Alta e magra, ela pode usar e abusar de acessórios bem grandes, como bolsas de todos os tipos e materiais. A paixão por bolsas está no DNA de Chiara, que herdou da mãe italiana a elegância e também uma carteira metalizada da Gucci, sua favorita por uma razão especial. "Meu pai deu de presente a ela quando nasci."

Adepta de ecobags, Chiara customiza suas peças e lembra de quando estudava no Studio Bercot, em Paris: sentou-se diante da máquina de costura pela primeira vez para fazer uma sacola enorme, onde pudesse levar suas coisas pessoais e sua pasta de croquis. Acessórios com produção quase artesanal também lhe agradam, caso das bolsas da badalada marca Crissu (com forro de tecido africano) e das que são assinadas pelo designer Henry Alavez.

Com a vida corrida entre Rio e São Paulo, por conta do programa "Tamanho Único", no canal GNT, além de dinheiro e documentos, Chiara costuma carregar sempre uma garrafa pequena de água, barrinhas de cereais, esmalte e acetona, duas agendas, óculos escuros, celular, máquina fotográfica, estojo com lápis e canetas, carteira. "É difícil, mas não impossível resumir a vida da gente dentro de uma carteira, mas eu edito os itens e coloco o essencial. A bolsa fica meio gordinha, mas tudo bem."

CESTÕES DE PALHA
Jornalista especializada em moda e beleza, Christiane Fleury acredita que a bolsa é um dos muitos acessórios que refletem sua personalidade e estilo. Do tipo mignon, contraria todas aquelas regras dos personal stylists sobre proporção entre tipo físico e acessórios. "Não abro mão dos meus vistosos colares étnicos, tampouco das minhas argolas clássicas, porém grandes. Acho que o fato de ser criada entre o Rio e Paris me projeta nesse universo de influências diversas. Comprei minha primeira bolsa aos 20 anos e, acredite, era uma Louis Vuitton! Modelo tradicional, tipo sacolão, objeto de desejo nos anos 70. Custou US$ 300,00, mas tive que ralar para adquiri-la."

O acervo pessoal é grande, pois, ao longo dos anos, não se desfez de muita coisa. "Cuido de todas elas com muito carinho. Tenho desde marcas como Vuitton, Dior, Hermès (herdadas da minha mãe), Prada, Maria Bonita, Andrea Saletto e Vanessa Bruno, uma grife parisiense jovem."

Para não passar nervoso na hora do aperto, leva bolsinhas e nécessaires de cores diferentes: uma para carteira e documentos, outra para maquiagem, uma pequena para remédios essenciais (tipo aspirina, Tiger Balm, colírio, etc.). Quando sai com um dos seus "cestões" (adquiridos no Marrocos, sul da França e mercados populares de Salvador e do Recife) pelas ruas do centro do Rio, sempre é advertida para tomar cuidado com os assaltos.

E apesar de gostar de todas as suas bolsas, fica com a mesma por vários dias. "Quando troco de modelo, o mais comum é ficar sem as chaves de casa, os óculos e crachá."

OBJETO DE DESEJO
Astrid Fontenelle, apresentadora e mamãe chique (o filho Gabriel, quando bebê, tinha sua própria bolsinha Gucci), diz que é totalmente dependente de sua bolsa. "Raramente saio sem ela, apenas quando vou com meu namorado rapidinho comer alguma coisa numa lanchonete. Mas quando isso acontece, na hora de sair, fico sempre incomodada. E se a gente brigar? Não vou ter dinheiro nem para pegar um táxi? Mas a gente nunca briga!"

Já quanto ao acervo, fala: "Na verdade, nem tenho muitas bolsas, são mais de 20 e menos de 40. Mas de uns tempos para cá, não caio na tentação de comprar ‘só mais uma’. Minha última aquisição foi uma Chanel prata e essa não dá para comprar toda hora."

Quanto ao tamanho, conta que já usou modelos bem grandes, mas sempre proporcionais à sua altura. "Depois da chegada do meu filho, como é muita coisa para carregar, aderi a acessórios bem menores. No entanto, levo também para o trabalho a tal segunda bolsa, bem grande, com as coisas do figurino, pesquisas e algumas revistas."

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