Historiadores alemães pedem nova versão de livro de Hitler

BERLIM - Historiadores alemães querem que o infame manifesto de Hitler Mein Kampf (Meu Campo, em tradução livre) seja republicado no país antes que a lei de direitos autorais da publicação expire em 2015.

AP |

Ainda que amplamente disponível no mundo anglofônico, a publicação do livro foi proibida na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial e sua venda é igualmente limitada.

A lei de direitos autorais alemã diz que o trabalho de um autor passa a ser público 70 anos depois de sua morte e esse prazo se aproxima. Hitler se matou em seu abrigo em Berlim no dia 30 de abril de 1945.

Antes desse aniversário, historiadores querem que o Estado da Bavária - controlador dos direitos autorais pois o último endereço oficial de Hitler foi em Munique - autorize uma versão com anotações de "Mein Kampf". Eles dizem que uma edição ampla e acadêmica que inclua a obra de Hitler em um contexto histórico seria a melhor defesa contra grupos de extrema direita e neo-nazistas que queiram usá-lo para defender suas teses racistas.

"Os mitos e lendas relacionados a esse livro devem ser destruídos de uma vez por todas", disse Hans-Christian Taeubrich, diretor do Centro de Documentação da Central do Partido Nazistas em Nurembergue, a cidade da Bavária onde Hitler realizou suas manifestações em massa mais notórias.

Taeubrich vislumbra um projeto conjunto entre seu centro, historiadores proeminentes e o Instituto de História Contemporânea de Munique. O diretor do instituto, Horst Moeller, também pediu que "Mein Kampf" seja revisado e publicado.

O trabalho deve começar em breve, disse Taeubrich, porque pode levar até três anos para descobrirem todas as fontes utilizadas por Hitler em sua obra de divagações altamente subjetivas.

"Esse trabalho nunca foi realizado anteriormente", disse Taeubrich, "Todo mundo conhece esse livro e o que ele simboliza, mas ninguém registrou de onde veio sua inspiração".

A Bavária já recusou diversas vezes o pedido de publicação da obra por medo de seu uso por extremistas e respeito pelas vítimas do holocausto.

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