Fernando Mexía. Los Angeles (EUA), 28 jun (EFE).- Sem indícios de crime e sem suspeitos, a principal linha de investigação da Polícia sobre a morte de Michael Jackson gira em torno de uma possível overdose de medicamentos, enquanto seu médico assegurou hoje que não esteve envolvido.

Segundo Edward Chernoff, advogado de Conrad Murray, médico do rei do pop e principal testemunha dos últimos instantes da vida do cantor, o doutor encontrou Michael já inconsciente quando entrou "de forma fortuita" em seu quarto na última quinta-feira.

O responsável pela defesa legal de Murray assegurou ainda que é "absolutamente falso" o comentário de que seu cliente teria injetado um forte calmante em Michael antes de o cantor morrer.

"Não houve Demerol, nem OxyContin", completou Chernoff ao jornal "Los Angeles Times".

Murray foi posto em liberdade após um interrogatório de três horas realizado no sábado, e no qual se mostrou "cooperativo" e deu informações "de auxílio" aos agentes que cuidam do caso de Michael, segundo um comunicado da Polícia.

De acordo com sua porta-voz, Miranda Sevcik, Murray "ajudou a identificar as circunstâncias que cercam a morte do ícone do pop e a esclarecer inconsistências", acrescentando que o médico "não é de nenhuma maneira um suspeito e continua como testemunha dessa tragédia".

O departamento de roubos e homicídios de Los Angeles segue à frente da investigação, embora ainda não existam provas que apontem para algum tipo de comportamento criminoso quanto à repentina morte de Michael.

Todos terão de esperar a divulgação dos resultados dos exames toxicológicos da autópsia realizados pelas autoridades do condado de Los Angeles na última sexta-feira, com o objetivo de saber quais substâncias o cantor teria consumido antes de falecer.

Os legistas afirmaram que o rei do pop tinha tomado remédios de prescrição médica, e por isso uma das principais hipóteses dá conta de que uma overdose pode estar por trás de sua morte.

Vários meios de comunicação locais asseguraram que Michael estava habituado a tomar fortes calmantes como Demerol, Dilaudid e Vicodin, e fazendo combinações que, segundo a página de notícias de famosos "TMZ", o próprio cantor teria chamado de "tônico da saúde".

Nessa mesma direção apontaria o testemunho dado por Grace Rwaramba, ex-assistente e babá dos filhos do cantor e que assegurou que teve de "realizar lavagem estomacal muitas vezes" no artista.

"Sempre misturava muito", disse Grace, em referência à ingestão de remédios de Michael, em declarações ao jornal britânico "The Times".

A ex-assistente e babá dos filhos do cantor chegou recentemente a Los Angeles e deve ser interrogada pela Polícia.

Os dados da autópsia oficial poderiam tardar até seis semanas para sair, mas em questão de dias poderia vir à tona a análise do legista contratado pela família para realizar uma segunda revisão no corpo do cantor.

A autópsia particular, que várias fontes indicam que ocorreu em Los Angeles no sábado à tarde e que poderia ter custado até US$ 20 mil, será processada mais rapidamente que a liderada pelas autoridades, por não ter de seguir os procedimentos oficiais que marcam qualquer investigação policial.

Apesar da falta de provas contra Murray, a família de Jackson acredita, segundo o "TMZ", que o doutor não deveria ficar livre de suspeitas ainda.

Aparentemente, os parentes de Jackson desconfiavam das atuações do médico e esperam que as análises encontrem drogas no corpo do cantor.

A família questionou a capacidade médica de Murray depois de a ligação de emergência feita da casa do cantor para pedir ajuda ter sugerido que a reanimação cardiopulmonar realizada foi feita de forma incorreta. EFE fmx/fr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.