Os 800 mil idosos de Pernambuco largam na frente dos idosos dos demais Estados nordestinos quando o assunto é o nível de escolaridade. O maior índice de pessoas acima de 60 anos com mais de 9 anos de estudo pertence aos pernambucanos, com 13,5%. Apesar dos animadores índices educacionais para essa faixa etária, a maioria teve pouco acesso à escola. Em Pernambuco, são 45,1% com menos de um ano de estudos ou sem instrução.

A média da expectativa de vida local subiu de 63,9 anos, em 1997, para 68,3. Mais acesso a renda, a programas de inclusão social e a saúde preventiva explicam a melhor condição de vida para os idosos do Estado.

Eles representam 9,8% dos 8,6 milhões de pernambucanos e cerca de 60% contribuem com mais da metade da renda familiar. Também aqui se percebe a repercussão de um fenômeno nacional, resultado da estabilidade econômica e do aumento do salário mínimo. Se antes os idosos representavam despesa, hoje são independentes. As famílias que têm idosos possuem renda ligeiramente melhor que as outras, analisa Parry Scott, professor de pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco.

Se antes os idosos representavam despesa, hoje são independentes"

Cláudio Santos, de 78 anos, e Carmem Cardoso, 76, formam um casal que é o retrato dessa nova terceira idade recifense. Os dois vão à hidroginástica todas as semanas, freqüentam a praia a cada 15 dias e estão sempre rodeados de amigos e familiares. Uma rotina sem tempo para acomodação. Quando me aposentei, há 21 anos, não quis ficar parado. Se a gente for para a cadeira de balanço a vida dura muito pouco, diz Cláudio. Ele agora trabalha à tarde na Associação de Dominó, que criou com os amigos do bairro de Tejipió, na zona oeste do Recife.

O aposentado não dispensa uma "balada" com os netos e filhos. Na pista de dança de bares da moda, ele e a mulher sempre chamam a atenção. É uma beleza, nos sentimos muito bem, atesta Carmem, que também adora um bom passeio pelo shopping. Agora estou aproveitando melhor a vida, afirma.

Com mais tempo para a vida pessoal, os idosos correm atrás de projetos que lhes dêem diversão e saúde ao mesmo tempo. Sintoma disso é que hoje eles representam 30% dos alunos de um programa de referência da Prefeitura da capital pernambucana, o Academia da Cidade. De segunda a sexta-feira, têm aulas grátis de educação física e acompanhamento nutricional.

"Se a gente for para a cadeira de balanço a vida dura muito pouco

Existem 20 academias no Recife, realizando 25 mil atendimentos por mês. A maioria dos idosos procura o serviço para interagir também com jovens, diz o gerente do programa, Wilson Damascena. Trabalhamos com cada idoso dentro de seus limites. Além das aulas, promovemos festas e passeios, ajudando ainda mais na socialização.

A Prefeitura investiu R$ 11,6 milhões desde 2002, ano de implantação da primeira unidade, no bairro de Jardim São Paulo (Zona Oeste). A ação foi reconhecida em 2005 pela Fundación Ciudad Humana, da Colômbia, como o melhor programa de atividade física das Américas.

Especial Dia do Idoso:

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