Heráclito nega irregularidade em pagamento de contas telefônicas dos senadores

BRASÍLIA - O primeiro-secretário do Senado, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), negou nesta sexta-feira haver irregularidades no ressarcimento pago aos senadores para custearem contas telefônicas pessoais.

Carol Pires, repórter em Brasília |

Não há irregularidade nessas contas telefônicas, não. Elas foram aprovadas pela Mesa Diretora. São aprovadas inclusive pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Eles têm uma cota, o que passar da cota, pagam. O que estiver na cota, já há recurso para isso, explicou.

Reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal Correio Braziliense revela que 21 senadores foram ressarcidos por despesas com o telefone residencial. Nos últimos 30 meses, a ex-senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), que renunciou ao mandato para assumir o governo do Maranhão, por exemplo, recebeu R$ 25,1 mil para ressarcir gastos com a conta de telefone residencial.

Agência Senado
Heráclito Fortes nesta sexta-feira no Senado
Segundo o senador, a regra será reavaliada, pois os senadores precisam usar o telefone para o exercício do mandato, inclusive quando estão em casa.

Desde que José Sarney foi eleito presidente do Senado, a instituição vem sendo alvo de diversas denúncias, que vão desde o uso irregular da verba indenizatória e cota de passagens aéreas, até a edição de atos secretos que foram usados para a contratação de parentes de senadores, inclusive de Sarney.  

Atos secretos

Na próxima semana, a comissão de sindicância aberta para investigar a edição de atos secretos no Senado deverá fazer sua primeira reunião. Ao todo, foram descobertos 663 atos editados nos últimos 14 anos, a maioria para contratar e alterar salários de funcionários, muitos deles parentes de senadores. 

De acordo com Heráclito, os atos só poderão ser anulados depois de analisados um a um. Até o momento, apenas o ato que concedia plano de saúde vitalício aos diretores que ficassem no cargo por, no mínimo dois anos, foi anulado. 

Tem atos que não demandam despesa, não demanda gasto, outros sim. A partir do momento [que verificam a irregularidade] ¿ anula tudo. Temos que analisar caso por caso colocando a culpa em cada um que errou. Se é erro criminoso tem um tipo de apuração, se é erro formal, tem outra. Não se pode avaliar de maneira coletiva, explicou o diretor.

Agaciel pede licença

O ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, acusado de assinar a maioria dos 663 atos secretos, pediu licença prêmio de três meses, período em que ficará em casa, sem trabalhar, sem prejuízo salarial.

Na avaliação do primeiro-secretário, o pedido de licença do servidor foi um alívio. O fato de ele ter se licenciado já é um avanço, porque alguns servidores se sentiam constrangido ou até ameaçados, disse. Temos que deixar os corredores da casa tranquilos para que essas investigações sejam feitas.

Agaciel Maia pediu licença do Senado após alguns senadores terem pedido formalmente à Mesa Diretora que o servidor se afastasse do trabalho enquanto durar as investigações da comissão de sindicância. Maia foi nomeado diretor-geral do Senado por José Sarney, há 14 anos, e foi exonerado do cargo no início do ano acusado de esconder da Justiça uma mansão avaliada em R$ 5 milhões, que estava registrada em nome do seu irmão.  

Leia também

Leia mais sobre: Sarney

    Leia tudo sobre: heráclito fortessarneysenado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG