Heráclito Fortes pede expulsão de vice-governador do RS

O senador Heráclito Fortes (PI), vice-líder do DEM no Senado, afirmou que irá pedir, nesta quarta-feira, à Executiva do partido a expulsão de Paulo Feijó, vice-governador de Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul. Feijó é considerado inimigo declarado da governadora.

Redação |


O vice-governador gravou uma conversa entre ele o chefe da Casa Civil do estado, Cézar Busatto, onde este reconhecia o uso de empresas estatais do governo gaúcho para o financiamento de campanhas eleitorais.

Sem saber que estava sendo grampeado, ele mencionou PP e PMDB, principais partidos de sustentação política de Yeda, como beneficiários da prática em órgãos estatais que comandam, como o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e o Detran. A governadora classificou o comportamento do vice como indigno.

Além de Busatto, no último sábado, dois outros membros do primeiro escalão do governo gaúcho e o comandante-geral da Brigada Militar foram demitidos por Yeda. O secretário-geral de Governo, Delson Martini, o chefe do escritório de Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante e o coronel Nilson Bueno tiveram que deixar suas funções.

A crise começou com as denúncias de corrupção no Detran, que resultou numa CPI na Assembléia Legislativa para investigar os casos de corrupção do governo. Depois da divulgação da gravação, Yeda anunciou a demissão de Cézar Busatto, do secretário de Governo, Delson Martini, e do chefe do escritório de representação do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, na última sexta-feira.

Assim que Heráclito entrar com o pedido de expulsão, o partido deve nomear um relator que dará um parecer ou pela expulsão dos quadros do DEM ou pelo arquivamento do pedido. A decisão final caberá à Executiva, que votará o parecer do relator.

Em dezembro do ano passado foi criada a CPI do Detran, que investigou pessoas ligadas à base aliada da governadora Yêda Crusius. O foco da CPI eram denúncias do desvio de R$ 44 milhões no processo de licenciamento de motoristas do Estado, de 2003 a outubro de 2007, para verba de campanha.

Operação Rodin

A fraude foi constada na Operação Rodin, deflagrada pela Polícia Federal, que indiciou 40 pessoas, entre elas o ex-tesoureiro da campanha de Yêda ao governo estadual, Lair Ferst, e o então presidente do Detran, Flávio Vaz Netto.

Através de duas entidades ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Fatec (Fundação de Apoio à Ciência e à Tecnologia) e a Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados), e das empresas Rio del Sur Consultoria e Newmark, estas últimas de propriedade de Ferst, o esquema superfaturava os exames teóricos e as provas práticas para a concessão de carteiras de motorista.

O Ministério Público Federal revelou, na semana passada, que o dinheiro desviado teria como um dos destinos a compra de imóveis de luxo em Porto Alegre e em Gramado, no Rio Grande do Sul. De acordo com o MP, a empresa Rio del Sur Ltda., de familiares de Ferst, adquiriu imóveis entre setembro de 2004 e março de 2006.

(Colaborou Tatiana Damasceno, do Congresso em Foco )

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