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Hepatite C, uma questão de saúde pública

Hepatite C, uma questão de saúde pública Por Rafael Sani Simões A hepatite C é a mais comum infecção crônica veiculada pelo sangue. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em todo o mundo, existem 180 milhões de pessoas com a forma crônica da doença, com cerca de quatro milhões de novos casos de infecção descobertos por ano.

Agência Estado |

Além disso, todas as pessoas que receberam sangue antes de 1992 têm grandes riscos de estarem infectadas com o vírus HCV, causador da hepatite C, pois, antes dessa data, o material destinado às transfusões não era analisado para a detecção dessa doença.

Silenciosa, a enfermidade pode não se manifestar por até 20 anos. Por esse motivo, os portadores podem descobrir sua condição em um estágio muito avançado, quando já existem grandes riscos de cirrose, câncer de fígado e insuficiência hepática. Aproximadamente 90% das pessoas com hepatite C não sabem que estão infectadas. Isso faz da doença um dos mais sérios problemas de saúde pública, sendo a principal causa de transplante de fígado no país, onde a enfermidade já infecta 5 vezes mais que a Aids.

Segundo o Ministério da Saúde já são 2 milhões de infectados, ou seja, 1,5% da população brasileira. Os números também apontam que a hepatite C apresenta a taxa de mortalidade com maior crescimento, tendo aumentado 30,6% nos últimos anos.

O vírus é transmitido pelo contato com sangue contaminado. Ao contrário do que alguns pensam, viver na mesma casa, apertar a mão, abraçar ou beijar uma pessoa com hepatite não traz nenhum risco de contaminação. As formas mais comuns de contágio são manipulação com material contaminado que corte ou fure a pele, como lâminas, bisturis, alicates e agulhas ou o uso de drogas com agulhas e seringas compartilhadas.

O hábito de fazer as unhas é outro exemplo de risco para mulheres. Embora praticamente todos os salões de beleza trabalhem com materiais esterilizados, muitas vezes a forma de disposição de alicates nas estufas resulta em uma esterilização incorreta. Somente em 2006, o Ministério da Saúde, por meio do SINAN (Sistema de Informação de Agravo de Notificação), registrou mais de 3.200 novos casos de mulheres contaminadas por esta forma da doença. Algumas delas podem ter sido infectadas por meio de alicates durante visitas à manicure. Nesse caso, a melhor dica para não se expor ao risco de contaminação é que as mulheres tenham seu próprio kit manicure.

Apesar de ser um problema bastante sério, nada impede que o portador da hepatite C possa ter uma vida normal. O diagnóstico precoce e tratamento adequado são fatores primordiais para que a saúde seja recuperada. Cerca de 20% dos infectados eliminam o vírus espontaneamente. Dos 80% restantes, quase dois terços, quando tratados corretamente, são curados. Hoje o tratamento mais avançado é a combinação de interferon peguilado com ribavirina, disponíveis na rede pública de saúde. É provável que, no futuro, a terapia da hepatite C exija combinações de novas drogas antivirais, algumas já em pesquisa.

* Rafael Sani Simões, médico infectologista e especialista na área de doenças infecciosas e parasitárias.

**O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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