BRASÍLIA - Depois de muito mistério sobre seu futuro político, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PMDB-GO), anunciou nesta quinta-feira que ficará no cargo. Na última quarta-feira, o colunista do iG http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/2010/03/31/governo-ja-da-como-certa-a-permanencia-de-meirelles/Guilherme Barros publicou as razões que levaram Meirelles à decisão. Nesta quinta, o blog http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2010/04/01/esta-decidido-meirelles-fica/Balaio do Kotscho adiantou que ele ficaria no BC. Considerei, sim, a hipótese política, mas conclui por continuar à frente do BC, disse.

Segundo Meirelles, sua decisão atende ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em pronunciamento a jornalistas na sede do BC, ele destacou o trabalho da instituição para manter a estabilidade da economia e disse que seu maior objetivo é colaborar para a perenização da estabilidade econômica.

Resolvi atender ao pedido do presidente Lula e ao apelo da diretoria do banco, no sentido de completar um trabalho de mais de sete anos de consolidação da estabilidade de preços no Brasil, de uma economia que acumula reservas, que propicia à população um direito básico da economia, que é ter uma moeda com poder de compra, disse.

asd
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, diz que fica / AE

Meirelles tomou a decisão de permanecer à frente do BC após jantar com a cúpula do partido oferecido pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), na noite de terça-feira. Na tarde de quarta e desta quinta-feira, ele esteve reunido com o presidente Lula, que pediu a Meirelles que permanecesse no cargo até o fim de seu governo. 

A decisão foi comunicada ao presidente Lula no final da tarde desta quinta-feira, mas Meirelles preferiu falar à imprensa primeiro em vez de avisar à cúpula do PMDB. O presidente Michel Temer não sabe porque ainda não falei com ninguém, além do presidente, depois de chegar a essa decisão.

Como informou o iG , um dos temores de Meirelles era que sua vaga no BC fosse parar nas mãos do atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Aliado de primeira mão de Dilma Rousseff, foi ele quem desenhou o PAC 2, apresentado como o projeto de governo da ex-ministra. Barbosa, no entanto, é um economista mais heterodoxo, que costuma repelir a ideia de juros altos. Em um ano em que o próprio Banco Central projeta que a inflação deve atingir 5,2%, Barbosa não seria a melhor das apostas para comandar a autoridade monetária.

Não cheguei a discutir com o presidente alternativas de sucessão, disse Meirelles. Não seria apropriado sem de fato haver uma definição minha de que iria sair. Mas caso fosse, tenho certeza de que o presidente  tomaria uma decisão que levasse em conta a estabilidade que alcançamos durante o governo.

Com a permanência na instituição, Meirelles contraria todas as expectativas que davam como certa sua desincompatibilização para disputar as eleições deste ano. Seu nome era cotado como vice em uma eventual chapa com a pré-candidata à Presidência pelo PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ele também cogitava concorrer ao Governo de Goiás ou ao Senado.

Não há dúvidas de que um dos pontos que me fez pensar muito em ficar no BC foi a possível frustração dos goianos não me candidatar, acrescentou o presidente do Banco Central. É uma decisão que terei de explicar e, por isso, irei a Goiânia nesse fim de semana.

As chances de Meirelles vencer a corrida ao governo goiano, no entanto, eram poucas. Ele aparecia em quarto lugar na disputa, com 5,5% das intenções de voto, atrás do senador Marconi Perillo (PSDB), do prefeito de Goiânia, Íris Rezende (PMDB) e do senador Demóstenes Torres (DEM), de acordo com pesquisa feita neste mês pelo Instituto Verus.

Para o Senado, o nome de Henrique Meirelles aparecia novamente em quarto lugar, com 20,9% das preferências, atrás de Rezende, Demóstenes e de Lúcia Vânia (PSDB). A chance de Meirelles ficar com a vaga de vice na chapa de Dilma também era reduzida, já que o nome mais forte do PMDB é o de Michel Temer.

O PMDB chegou a cogitar a hipótese de bancar o nome de Henrique Meirelles para a pasta da Fazenda em um eventual governo Dilma Rousseff. Ele, no entanto, prefere não contar com a oferta. Prefiro falar sobre algo concreto, não possibilidades, justificou. 

Leia mais sobre: Henrique Meirelles

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.