Hemocentros culpam Ministério da Saúde por perda

Orientações técnicas falhas emitidas pelo Ministério da Saúde estariam na origem do prejuízo de US$ 6,82 milhões provocado pela perda de matéria-prima utilizada na produção de produtos para o tratamento de hemofílicos, segundo informaram as fundações Pró-Sangue, de São Paulo, e Hemominas, de Minas Gerais. Os hemocentros afirmam que seguiram à risca as orientações despachadas pelo ministério e pela empresa LFB sobre o armazenamento do plasma que seria usado para a fabricação de hemoderivados fator 8 e fator 9 - proteínas que estimulam a coagulação do sangue de pacientes com hemofilia.

Agência Estado |

Cerca de 260 mil bolsas de plasma dos dois hemocentros foram consideradas inadequadas para a produção desses dois hemoderivados pela LFB, uma multinacional francesa, contratada para fazer o fracionamento, técnica que transforma o plasma sanguíneo em quatro produtos médicos. Agora, o material poderá ser usado somente para obtenção de outros dois hemoderivados: albumina e imunoglobulina. Com a recusa da LFB em produzir o fator 8 e o fator 9, perde-se matéria-prima para abastecer a demanda de pacientes brasileiros com hemofilia por uma semana, segundo o próprio Ministério da Saúde.

Nos últimos anos, os hemocentros armazenaram o produto, por força de um contrato com o Ministério da Saúde. Uma nova licitação foi feita em 2007. A ganhadora, a francesa LFB, contratada por R$ 50 milhões, ficou encarregada de captar o plasma e fracioná-lo no exterior.

A Fundação Hemocentro, de São Paulo, afirma que os armazéns foram inspecionados duas vezes por equipes do ministério. E, nas duas ocasiões, a forma de armazenamento teria sido aprovada pelos fiscais de Brasília.

Em uma nota, o Ministério da Saúde sustenta que as normas para armazenamento do plasma foram definidas em um reunião de 2005 e que todos os hemocentros são obrigados a saber quais medidas devem ser tomadas. No texto, o ministério contesta a informação dada pela Fundação Pró-Sangue. Ao contrário do que diz a fundação paulista, ele sustenta que “a vistoria do Ministério da Saúde, realizada em junho deste ano, apurou que a Fundação Pró-Sangue não havia validado o controle de temperatura”. E teria sido a ausência de validação o motivo de a LFB haver recusado o produto que estava estocado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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