Helicóptero resgata parte de avião no Atlântico

Por Pedro Fonseca RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um helicóptero embarcado em um navio da Marinha retirou nesta quinta-feira uma peça de avião da área de buscas do Airbus A330 da Air France que caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo.

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"O helicóptero Lynx, embarcado na fragata, resgatou por volta das 13h, um suporte utilizado para acomodação de cargas em aviões (Pallet), de aproximadamente 2,5 m2, e duas bóias", afirmou a Força Aérea Brasileira (FAB) em comunicado.

Segundo o brigadeiro da FAB Ramon Borges Cardoso, a peça recolhida do mar será analisada para confirmar se pertence ao avião que fazia a rota AF 447 Rio-Paris e caiu após decolar no domingo.

Sobre as possibilidades de encontrar sobreviventes, o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea afirmou que "fica mais difícil a cada momento". Segundo a FAB, a prioridade das buscas é por corpos, mas ainda não há "nenhum sinal".

"Se houver corpos, para-se tudo e traz para cá. A logística para fazer isso já está montada em Fernando de Noronha para receber os corpos e trazer para Recife", disse o brigadeiro, acrescentando que não há uma data prevista para terminar a operação.

Na madrugada, aviões da FAB já haviam avistado novos destroços da aeronave. Uma avião R-99 equipada com radar identificou objetos em três pontos distintos do mar. Três aviões Hércules da FAB, uma aeronave P-3 dos EUA e um Falcon 50 francês decolaram de Natal posteriormente para visualizar os destroços.

"Provavelmente são da parte interna, foram encontrados pedaços marrons, brancos e amarelos, que não correspondem à parte externa, mas sim à parte interna", disse a jornalistas em Recife o brigadeiro.

As embarcações da Marinha que estão na área seguem em direção aos pontos onde os destroços foram avistados pelas aeronaves para recolhê-los. Após serem resgatadas pelos navios, as partes serão levadas de helicóptero a Fernando de Noronha.

"Quando tivermos uma quantidade de destroços a bordo dos navios, vamos usar os helicópteros para transportar para Fernando de Noronha primeiramente, e depois de avião para Recife. Todo material ficará em Recife à disposição das autoridades francesas", afirmou o brigadeiro. A investigação das causas do acidente está a cargo do governo francês.

VELOCIDADE

Além dos destroços, as aeronaves da FAB que estão sobrevoando a região desde segunda-feira já avistaram extensas manchas de óleo no mar, o que segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pode excluir a possibilidade de explosão do Airbus que fez o último contato quatro horas depois de decolar do Rio, após passar por forte turbulência.

Citando fontes próximas à investigação do acidente, o jornal francês Le Monde afirmou nesta quinta-feira que o avião viajava a um velocidade incorreta antes da queda.

O jornal espanhol El Mundo disse que um piloto teria visto um clarão sobre o Atlântico na mesma hora em que o voo AF 447 da Air France sumiu.

De acordo com a agência francesa responsável pela investigação, o desastre pode permanecer um mistério, já que são remotas as chances de se encontrar as caixas-pretas no fundo do mar.

Os três navios brasileiros que estão na região -- a patrulha Grajaú, a corveta Caboclo e a fragata Constituição --, realizam as buscas num raio de 200 quilômetros.

Um navio francês equipado com um submarino não-tripulado que pode explorar a até 6.000 metros de profundidade também está a caminho do local.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

(Reportagem adicional de Fernando Exman em Brasília; Edição de Maria Pia Palermo)

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