Helicóptero resgata parte de avião; FAB investiga se é do AF447

Por Pedro Fonseca RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um helicóptero embarcado em uma fragata da Marinha que chegou nesta quinta-feira à região de buscas do avião da Air France resgatou uma peça de avião que possivlemente é da aeronave que caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo.

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Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), ainda não é possível confirmar se as partes pertencem ao avião que fazia a rota AF 447 Rio-Paris e caiu no domingo.

Os destroços foram avistados a 550 km de Fernando de Noronha por um avião Hércules da FAB que participa das buscas e orientou o deslocamento da fragata Constituição, uma das três embarcações da Marinha na área, até o local para que o material pudesse ser recolhido.

"O helicóptero Lynx, embarcado na Fragata, resgatou por volta das 13h, um suporte utilizado para acomodação de cargas em aviões (Pallet), de aproximadamente 2,5 m2, e duas bóias", afirmou a FAB em comunicado.

As operações de busca na madrugada já haviam avistado novos destroços da aeronae. Um avião R-99 equipado com radar identificou objetos em três pontos distintos do mar. Três aviões Hércules da FAB, uma aeronave P-3 dos EUA e um Falcon 50 francês decolaram de Natal posteriormente para visualizar os destroços.

"Provavelmente são da parte interna, foram encontrados pedaços marrons, brancos e amarelos, que não correspondem à parte externa, mas sim à parte interna", disse a jornalistas em Recife o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da FAB.

As embarcações da Marinha que estão na área seguem em direção aos pontos onde os destroços foram avistados pelas aeronaves para recolhê-los. Após serem resgatadas pelos navios, as partes serão levadas de helicópetero a Fernando de Noronha.

"Quando tivermos uma quantide de destroços a bordo dos navios, vamos usar os helicópetros para transportar para Fernando de Noronha primeiramente, e depois de avião para Recife. Todo material ficará em Recife à disposição das autoridades francesas", afirmou o brigadeiro. A invetigação das causas do acidente está a cargo do governo francês.

A prioridade das buscas é por corpos, mas ainda não há "nenhum sinal", de acordo com a FAB.

"Se houver corpos, para-se tudo e traz para cá. A logística para fazer isso já está montada em Fernando de Noronha para receber os corpos e trazer para Recife", disse o brigadeiro, acrescentando que não há uma data prevista para terminar a operação.

VELOCIDADE

Além dos destroços, as aeronaves da FAB que estão sobrevoando a região desde segunda-feira já avistaram extensas manchas de óleo no mar, o que segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pode excluir a possibilidade de explosão do Airbus que decolou do Rio no domingo com destino a Paris e fez seu último contato quatro horas depois, após passar por forte turbulência.

Citando fontes próximas à investigação do acidente, o jornal francês Le Monde afirmou nesta quinta-feira que o avião viajava a um velocidade incorreta antes da queda.

O jornal espanhol El Mundo disse que um piloto teria visto um clarão sobre o Atlântico na mesma hora em que o voo AF 447 da Air France sumiu.

De acordo com a agência francesa responsável pela investigação das causas do acidente, o desastre pode permanecer um mistério, já que são remotas as chances de se encontrar as caixas-pretas no fundo do mar.

Os três navios brasileiros que estão na região -- a patrulha Grajaú, a corveta Caboclo e a fragata Constituição --, realizam as buscas num raio de 200 quilômetros.

Um navio francês equipado com um submarino não-tripulado que pode explorar a até 6.000 metros de profundidade também está a caminho do local.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

(Reportagem adicional de Fernando Exman em Brasília; Edição de Maria Pia Palermo)

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